Depois de anunciar em dezembro apoio formal à candidatura de Júlio Delgado (PSB) à presidência da Câmara, o PSDB já admite que a sigla pode desistir do projeto da “terceira via” para apoiar o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ ), desde o início da eleição, no domingo. A avaliação é que o voto útil no peemedebista evitaria um 2.º turno contra Arlindo Chinaglia (PT-SP), apoiado pelo governo. 

Para o PSDB, Cunha hoje representa uma plataforma de oposição ao Palácio do Planalto, embora seja correligionário do vice-presidente Michel Temer. Os tucanos temem que, numa segunda rodada da disputa apenas entre o peemedebista e Chinaglia, o governo consiga atrair apoio com promessas de cargos e liberação de verbas.

Fora isso, o PSDB terá 54 deputados na legislatura que começa neste domingo – será a terceira maior bancada, atrás de PT e PMDB – e quer manter ou ampliar seu espaço na Mesa Diretora e nas comissões da Casa. O principal pleito é manter a Primeira Secretaria, que está na cota do PSDB desde 2009. 

Reunião de Eduardo Cunha com sindicalistas da Força Sindical em São Paulo 

Reunião de Eduardo Cunha com sindicalistas da Força Sindical em São Paulo 

“Meu sentimento é de que um terço da bancada vai caminhar com Cunha. É preciso ver qual será a posição na Mesa do partido. Como fazer uma oposição fragilizada?”, questionou o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), que manifestou em público o apoio à candidatura de Cunha. Embora oficialmente ainda estejam fechados com Delgado, dirigentes tucanos já admitem abertamente que será difícil garantir a unidade da bancada. 

Previsão. “Há uma orientação nesse sentido (de apoiar Delgado), mas o voto é secreto. Não há como garantir (o apoio de toda a bancada)”, disse o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB paulista. Ele comandou ontem um almoço dos deputados tucanos paulistas com Cunha em um restaurante de São Paulo. Na saída do encontro, o peemedebista disse ter segurança de que “a eleição será resolvida no 1.º turno”.

O candidato do PMDB chegou acompanhado do deputado Paulinho da Força (SP), presidente do Solidariedade, que o acompanhou em compromissos na capital paulista. Depois, Cunha foi a Curitiba encontrar o governador Beto Richa (PSDB).

A possível debandada do PSDB da candidatura de Delgado, movimento liderado por parlamentares de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, já causa divergência na bancada. “Não podemos abandonar companheiros. Hoje a candidatura que não está vinculada à base é a do Júlio Delgado. Apoiá-lo é importante para o PSDB”, disse o deputado Domingos Sávio (MG).