Título: Dívida vai a R$ 1,8 tri
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Fonte: Correio Braziliense, 22/07/2011, Economia, p. 7
O total da dívida pública federal subiu 6,58% no primeiro semestre de 2011, passando de R$ 1,69 trilhão para R$ 1,80 trilhão. O salto de R$ 111,3 bilhões, segundo o Tesouro Nacional, ocorreu, principalmente, por conta do pagamento de juros, no total de R$ 97,98 bilhões ¿ um claro reflexo do combate à inflação. De maio para junho, a alta foi 3,39%, o equivalente a R$ 59,14 bilhões, montante formado pela emissão líquida de R$ 43,31 bilhões ¿ dos quais R$ 30 bilhões engordaram o caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ¿ e juros de R$ 15,84 bilhões.
Pelo terceiro ano consecutivo, o Tesouro destina recursos ao BNDES com dinheiro público a juros subsidiados. Em 2009 e em 2010, foram injetados mais de R$ 200 bilhões no banco. "Esta foi a primeira parcela, do total a ser destinado este ano, de R$ 55 bilhões", explicou Fernando Garrido, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro.
De maio a junho, a dívida interna subiu 3,86% (de R$ 1,66 trilhão para R$ 1,72 trilhão), enquanto o estoque da externa caiu 6,29%, de R$ 81,08 bilhões para R$ 75,97 bilhões. Apesar do aumento, o perfil da dívida total mudou para melhor, porque o governo conseguiu reduzir prazos, abater a dívida externa e retirar de circulação papéis com juros pós-fixados (que dependem das flutuações futuras do indicador que remunera o título). "Os resgates de LTFs (Letras Financeiras do Tesouro) foi recorde no mês. Isso revela o esforço do governo para reduzir a dívida indexada à Selic", destacou Garrido.
Ipea quer meta de 4,5% O Banco Central vai enfrentar forte oposição dentro do próprio governo caso persista com a ideia de propor a redução do centro da meta de inflação, hoje fixada em 4,5% ao ano. A proposta foi defendida pelo presidente do BC, Alexandre Tombini. "Se reduzir mais a meta, vai ter que aumentar mais os juros, e essa política tem um custo", observou o coordenador de Regime Monetário e Cambial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Thiago Martinez. Em estudo, ele mostrou que parte da inflação decorre de choques internacionais. No mercado interno, a pressão vem de itens como alimentos, bebidas e serviços, que subiram acima do centro da meta desde 2006. Para o Ipea, a despeito dos aumentos dos juros, a inflação no Brasil tende a ser persistente por causa da indexação.