Tipos mais fortes de maconha podem ser responsáveis por um em cada quatro casos novos de psicose, de acordo com estudo divulgado no Reino Unido. Usuários do skunk, uma variedade mais potente da Cannabis, podem ter até três vezes mais risco de enfrentar um quadro psicótico do que alguém que não usa a droga.

 

 

O trabalho, do King's College, em Londres, divulgado pelo jornal britânico Daily Mail, concluiu que é fundamental alertar os mais novos para o risco que algumas variedades da maconha podem trazer para a saúde mental. O skunk que circula hoje no Reino Unido foi geneticamente selecionado para ser até quatro vezes mais forte do que a maconha usada por gerações anteriores.

 

Cerca de um milhão de jovens de 16 a 24 anos fuma maconha no Reino Unido. Para especialistas, os usuários regulares são os mais expostos aos quadros psicóticos. E aqueles que usam as variedades mais potentes estariam sob risco bem maior do que os que consomem tipos mais fracos de maconha.

 

Psicoses são doenças mentais em que as pessoas podem ter alucinações, delírios ou ambos. Os quadros podem ser graves e aumentar o risco de suicídio ou de violência. Um relatório de 2012, da Comissão de Esquizofrenia do Reino Unido, já apontava a necessidade de alertas sobre os riscos da maconha para a saúde mental.

 

O estudo atual investigou o uso de maconha em dois grupos, cada um com cerca de 400 pessoas, entre 2005 e 2011. No primeiro grupo, todos já haviam tido um primeiro episódio psicótico. No segundo, voluntários concordaram em responder perguntas sobre eles mesmos, incluindo uso de maconha e saúde mental.

 

O resultado mostra que havia uma chance bem maior de uso diário de maconha e de skunk no primeiro grupo. Skunk, isoladamente, respondeu por 24% dos primeiros episódios psicóticos. Esse número foi quase o dobro de outro encontrado em um estudo holandês de 2002.

 

O novo trabalho, publicado na revista médica The Lancet na semana passada, mostra que quem usa skunk diariamente tem uma chance três vezes maior de vir a ter um episódio psicótico do que quem não fuma maconha. Aparentemente, não há risco maior de psicose em quem usa as formas mais fracas da droga.

 

Skunk é um nome genérico de quase cem variedades de maconhas mais fortes, que apresentam níveis mais elevados de THC (tetrahidrocanabinol), um dos principais compostos psicoativos da maconha. De forma inversa, o skunk apresenta quantidades baixas de canabidiol, que pode ter efeitos antipsicóticos. Assim, esse desequilíbrio explicaria o maior risco de psicose trazido pelas formas mais poderosas de maconha. As maconhas mais fracas acabam tendo concentrações mais elevadas de canabidiol e não tão altas de THC, o que poderia explicar a baixa relação desses tipos de maconha com o risco de quadros psicóticos.

 

Com a flexibilização do uso da maconha em diversas partes do mundo, é importante que esses alertas sobre o maior risco de doenças mentais em usuários assíduos de variedades potentes sejam feitos de forma mais enfática.

 

Bom lembrar também que, em artigo recente, comentamos aqui números divulgados nos Estados Unidos que mostram que 50% dos acidentes fatais com jovens motoristas naquele país aconteceram após consumo de álcool, maconha ou ambos. Para além da discussão política sobre a liberação do uso da droga, seria essencial pensar em ações que reduzam os riscos que cercam esse consumo.