Título: Petrobras venderá poços
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Fonte: Correio Braziliense, 26/07/2011, Economia, p. 11

A Petrobras detalhou, ontem, seu novo plano de investimentos de US$ 224,7 bilhões para o período de 2011-2015, feito sob encomenda para agradar o mercado e o governo federal. O valor global é praticamente o mesmo do programa anterior. De um lado, a empresa mostrou que reduziu os gastos com refinarias, segmento com margem apertada de lucro, e aumentou os investimentos em exploração e produção. De outro, reduziu a necessidade de aumento no preço de seus principais produtos, gasolina e diesel, que vem impactando a inflação, para bancar novos projetos.

O mercado gostou da redução dos investimentos no refino do petróleo. Tanto que, há tempos cambaleando, as ações da estatal reagiram bem ontem. Enquanto a Bolsa de Valores fechou em queda de 0,5%, os papéis preferenciais da estatal subiram 2,29%, cotados a R$ 23,50, e as ordinárias avançaram 2,19%, para R$ 26,06. O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, afirmou que o corte de US$ 13,6 bilhões, anunciado na noite de sexta em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), inclui a venda de ativos, como de blocos em áreas exploratórias de petróleo e participações em empresas que controla. Mas ele não quis dar detalhes dessas alienações nem do prazo.

Gabrielli havia proposto investimentos totais de US$ 260 bilhões, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mandou passar a faca. O Conselho de Administração da Petrobras, do qual fazem parte Mantega e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, havia rejeitado por duas vezes as propostas anteriores da companhia, por considerá-las irreais.

O Itaú BBA considerou positivo o anúncio da venda de ativos e o aumento dos investimentos em exploração e produção, que dão maior rentabilidade à empresa. "Pela primeira vez, a Petrobras incluiu um plano de desinvestimento, que vemos como muito positivo", comentou o banco em relatório. O Citibank também destacou a importância de a petrolífera faturar US$ 13,6 bilhões ao desfazer de negócios que não garantem lucro. Na avaliação do Citi, essa decisão dará impulso aos preços das ações da companhia.

O analista da Coinvalores Marco Saravalle destacou que, apesar de atender a expectativa do mercado, o novo plano de negócios da Petrobras resultará em uma disputa em torno das ações da empresa. "De agosto em diante, as cotações dos papéis devem retomar a trajetória de alta depois de 18 meses com tendência de baixa", afirmou.