A exemplo da Câmara, a Mesa Diretora do Senado é formada por parlamentares que têm pendências com a Justiça. Levantamento feito pelo GLOBO aponta que quatro dos sete integrantes da direção da Casa respondem a alguma ação. Os processos vão de improbidade administrativa a embriaguez ao volante, passando por condenações no Tribunal de Contas da União (TCU) e pendências com a Justiça Eleitoral por violações supostamente cometidas durante as eleições.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e dois no Tribunal Regional Federal (TRF) do Distrito Federal. Uma das investigações, que corre em segredo de justiça, o acusa de tráfico de influência. Numa ação civil pública no TRF, ele é acusado de improbidade administrativa por ter supostamente recebido propina da empreiteira Mendes Júnior em troca de emendas que a favorecessem. A empresa pagaria despesas da filha dele com a jornalista Monica Veloso.
Em outra ação, também no STF, Renan é acusado de crimes contra o Meio Ambiente. Ele teria pavimentado com paralelepípedos uma estrada de 700 metros na Estação Ecológica Murici sem que o órgão legal tivesse sido consultado. A quarta ação diz respeito ao uso irregular de jatinho da FAB para ir a um casamento.
O segundo vice-presidente do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é alvo de um inquérito que investiga improbidade administrativa. A ação tramita no STF desde abril de 2004. A ação ficou parada quatro anos nas mãos do ministro Gilmar Mendes, que pediu vistas em 2006. Somente em 2010 voltou a andar. Mesmo assim, ainda não há uma sentença.
O primeiro secretário, Vicentinho Alves (PR-TO), já foi condenado pelo TCU, em 2002, por irregularidades em convênios com o governo federal quando ele era prefeito de Porto Nacional ( TO). O nome dele chegou a figurar no cadastro de responsáveis com contas julgadas irregulares. Mas, como a Lei da Ficha Limpa não estava valendo em 2010, ele conseguiu concorrer e se eleger senador. Alves também responde a um inquérito no STF sobre improbidade administrativa.
Zezé Perrella (PDT-MG), segundo secretário, foi condenado por uso irregular de apartamento funcional, quando era deputado federal. Ele recorreu da decisão, que foi mantida. Suas contas de campanha de 2006 foram rejeitadas pelo TRE. Ele recorreu, o tribunal manteve a decisão e, agora, ele apela ao Tribunal Superior Eleitoral ( TSE). Além disso, é alvo de ação de improbidade com dano ao erário porque sua empresa, Limeira Participações, foi contratada sem licitação pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), na época em que Aécio Neves (PSDB) era governador.
O Ministério Público acusa a estatal de fornecer sementes para a agropecuária da família Perrella, que depois vendia arroz, feijão e milho para a própria Epamig. Os alimentos eram usados no programa “Minas Sem Fome”.
Por meio de sua assessoria, o senador afirmou que nunca foi condenado em última instância e negou irregularidades. Sobre a Epamig, disse que tem sido perseguido pelo MP.
O senador Gladson Cameli (PP-AC) não responde a mais nenhuma ação na Justiça, mas já foi condenado por embriaguez ao volante. Teve de dar uma cesta básica a uma instituição de caridade. A carteira de motorista dele, no entanto, não foi cassada, segundo sua assessoria.