O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contratou o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza como advogado. Cunha quer que o ex-procurador-geral verifique junto ao Supremo Tribunal Federal se de fato ele está na lista dos políticos contra os quais o atual procurador-geral, Rodrigo Janot, pediu abertura de inquérito em razão da Operação Lava Jato. “É natural que eu busque um advogado que possa buscar saber informações”, justificou o presidente da Câmara.

O ex-procurador foi o responsável pela denúncia do mensalão no Supremo. Ele acusou formalmente 40 pessoas em 2006 de integrarem o esquema. Desse total, 25 foram condenados, incluindo o ex-presidente do PT, José Genoino e o ex-ministro da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu.

No Congresso, boa parte dos deputados e senadores passou a adotar um discurso único em relação à “lista de Janot”, que foi entregue anteontem ao Supremo, mas ainda está sob sigilo. Os parlamentares ressaltam que não houve denunciados - acusados formalmente - e que ser investigado não configura crime.

O principal argumento adotado foi o de que a lista não pediu nenhuma abertura de denúncia mas apenas de inquérito contra os parlamentares. Ao todo foram 28 pedidos de abertura de investigação contra 54 pessoas, com ou sem mandato parlamentar, citadas como beneficiários do esquema de corrupção na estatal. Com isso, a avaliação foi de que Janot sinalizou com os inquéritos que ele próprio não tem segurança do envolvimento dos congressistas nos desvios ocorridos. Citado em delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o líder do PT, Humberto Costa (PE), afirmou desconhecer os nomes dos investigados e defendeu a retirada do sigilo dos processos.

“Não é sequer um processo ainda, serão inquéritos que serão abertos”, disse o petista.
Romero Jucá (PMDB-RR) considerou que mesmo com a divulgação oficial dos nomes não haverá motivo para que os parlamentares citados sejam alvo de pedidos de cassação por quebra de decoro no Conselho de Ética.