Título: FMI cobra solução
Autor: Nunes, Vicente ; D"Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 27/07/2011, Economia, p. 8

Habituado a prescrever receitas de política econômica para países em desenvolvimento, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cobrou ontem do Congresso e do governo norte-americanos "uma solução" que permita aumentar o endividamento do país. A diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde, advertiu que a falta de um acordo ameaça deixar o Executivo sem recursos para pagar os credores da gigantesca dívida pública de US$ 14,3 trilhões, o que pode levar a uma situação de insolvência e provocar o rebaixamento significativo da nota de risco dos títulos do Tesouro, considerados até hoje os mais seguros do mundo.

"Seria algo grave, muito grave, não apenas para os Estados Unidos, mas também para a economia mundial", disse Lagarde. A dirigente do FMI lembrou o plano de 159 bilhões de euros para socorrer a Grécia, anunciado no último dia 21 pelos líderes de países europeus, e pediu que "medidas corajosas também sejam adotadas nos Estados Unidos". De acordo com ela, a Casa Branca e a oposição republicana precisam chegar rapidamente a um entendimento sobre a questão.

Urgência "O relógio avança de forma irremediável e realmente devem encontrar uma solução", disse Lagarde, em audiência no Conselho de Relações Exteriores, em Washington. Ela evitou, porém, comentar o teor das propostas de republicanos e democratas, que vem sendo debatidas em meio a um ambiente político cada vez mais radicalizado com a aproximação das eleições presidenciais do ano que vem. "Não me cabe falar sobre isso.

O governo dos EUA afirma que só tem condições de trabalhar com o atual teto de US$ 14,3 trilhões para a dívida até 2 de agosto. Depois disso, ficaria impedido de emitir novos títulos para captar recursos e não teria dinheiro para cobrir todos os compromissos, como aposentadorias, salários e, no limite, honrar os pagamentos da dívida.

Christine Lagarde disse ainda que o FMI também pode precisar de recursos adicionais para ajudar países que enfrentam problemas para honrar pagamentos de sua dívida. "Num futuro não tão distante, provavelmente teremos de ver essa questão", admitiu.