Título: Investimentos batem recorde
Autor: Nunes, Vicente ; D"Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 27/07/2011, Economia, p. 8

Entrada de dólares para o setor produtivo cobre com folga deficit nas contas externas

Mesmo registrando o maior deficit em transações correntes da história para o semestre ¿ o resultado negativo da parte do balanço de pagamentos que inclui a balança comercial, os serviços e rendas e as transferências unilaterais, bateu em US$ 25,448 bilhões ¿, o dinheiro que entrou no país via investimento estrangeiro direto ( IED) no período foi mais do que suficiente para cobrir essa conta. Em seis meses foram US$ 32,477 bilhões, um recorde que se repete no período de 12 meses, com os dólares computados nessa rubrica atingindo US$ 68,819 bilhões.

Toda essa enxurrada de recursos prova que o Brasil realmente está atrativo para os estrangeiros. Só em junho, segundo os dados divulgados ontem pelo Banco Central, o investimento direto somou US$ 5,467 bilhões, um resultado sete vezes superior ao verificado no mesmo mês de 2010, quando ficou em US$ 766 milhões. O total de recursos que veio para o país em junho ficou acima da estimativa de US$ 4,5 bilhões do BC.

Não é à toa que o Brasil deu um salto de 10 degraus na lista dos países que mais receberam investimentos diretos em 2010. De acordo com relatório divulgado ontem pela Unctad ¿ agência da ONU para o comércio e o desenvolvimento ¿, o Brasil pulou do 15º lugar, em 2009 para o 5º, no ano passado. O investimento direto no país aumentou 84,6% em 2010 na comparação com o ano anterior, totalizando US$ 48,5 bilhões. Segundo o estudo Investimento no Mundo em 2011, da Unctad, em 2009, em razão da crise econômica internacional, o Brasil havia sofrido uma diminuição de 42% no volume de IED, uma queda acima da média mundial naquele ano.

Agora, a situação é diferente. Sem ter como fazer o dinheiro render no exterior e procurando cada vez mais fugir do risco, os estrangeiros estão fincando o pé nos países emergentes, e um dos preferidos é o Brasil. O que atrai recursos para o país são os juros altos, além da boa performance econômica.

Tanto em junho quanto no acumulado do ano, o ingresso de investimento estrangeiro compensou o saldo negativo das transações correntes do país. Em junho, o deficit foi de US$ 3,300 bilhões. Esse saldo também ficou abaixo do que o BC previa (um resultado negativo de US$ 4,2 bilhões) ¿- graças ao desempenho surpreendente da balança comercial. No mesmo mês do ano passado essa conta tinha ficado ainda mais negativa. O deficit havia sido de US$ 5,273 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do Banco central (Depec), Túlio Maciel, disse que, para que seja atingida a estimativa de investimento direto para o ano, que é de US$ 55 bilhões, será preciso um ingresso médio de recursos da ordem de US$ 4 bilhões, todo mês, até dezembro. Em 2011 o investimento direto só não será suficiente para cobrir o deficit em transações correntes se o Banco Central errar a previsão. Pelos cálculos do BC, o deficit em transações correntes deverá fechar o ano em US$ 60 bilhões. Os US$ 5 bilhões que faltarão deverão ser obtidos via ingresso de recursos de curto e médio prazo.