Título: Sobe gasto de viagem
Autor: Nunes, Vicente ; D"Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 27/07/2011, Economia, p. 8

Com o dólar abaixo de R$ 1,60, explodiram os gastos de turistas e estudantes no exterior. De janeiro a junho, o deficit da conta de viagens internacionais atingiu um novo recorde, alcançando US$ 6,815 bilhões. Esse resultado é 65% a mais do que o registrado em igual período de 2010.

Consideradas apenas o que os brasileiros gastam lá fora, o volume de recursos é bem maior. Enquanto os estrangeiros vem reduzindo suas viagens e compras ¿ no acumulado do ano, eles deixaram no Brasil US$ 3,370 bilhões ¿, os brasileiros estão aproveitando. Eles gastaram, no exterior, US$ 10,184 bilhões em seis meses.

Nem mesmo as restrições impostas pelo governo para os gastos com cartão de crédito ¿ o Imposto sobre Operações financeiras (IOF) subiu para tentar conter um pouco essa gastança ¿ foram suficientes. Pelos dados divulgados ontem pelo Banco Central, para fugir do imposto maior, os turistas brasileiros estão levando mais dinheiro vivo. Em abril, a participação do cartão de crédito nos pagamentos no exterior estava em 60,7%. Em maio, caiu para 54,7% e, em junho, para 54,2%.

Viagens internacionais pesam bastante na conta de serviços, que é sempre deficitária. Dela também fazem parte as despesas com transportes, seguros, computação e informações, além de aluguel de equipamentos. Todos esses gastos vem crescendo, consequência do atual momento econômico de consumo aquecido.

Equipamentos As despesas líquidas com aluguel de equipamentos, a exemplo de viagens internacionais, são as maiores da série histórica iniciada em 1947, tanto para o mês quanto para o semestre. No mês, as empresas brasileiras pagaram US$ 1,437 bilhão de aluguel. De janeiro a junho, essa conta ficou negativa em US$ 7,833 bilhões.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, com a continuidade do crescimento econômico, a tendência da conta de serviços não deve mudar. Em junho, por exemplo, o deficit de viagens internacionais chegou a US$ 1,364 bilhão, um recorde para o mês. Até o dia 26 de julho, esse item já estava negativo em US$ 1,324 bilhão. "Nunca vi um crescimento tão vertiginoso", disse Fernando Bergallo, gerente de Câmbio Simplificado da TOV Corretora. (VC)

Fundo Soberano perde R$ 2 bi A estratégia de desviar o Fundo Soberano do Brasil (FSB), criado em 2008, de suas funções originais, para permitir que o governo aumentasse sua participação na Petrobras, pode ter acarretado uma perda de aproximadamente R$ 2 bilhões para os cofres públicos. Em 2010, o total de patrimônio do FSB era de R$ 18,7 bilhões. Por lei, até então, apenas 10% desse total poderia ser investido em ações de estatais. Mas, para participar do processo de capitalização da Petrobras, o governo aumentou o teto para 100%. "Foram investidos, à época, 80% do valor total, que significam mais de R$ 14 bilhões em ações da Petrobras e do Banco do Brasil. Apenas esse ano, as ações da estatal de petróleo caíram 20%. Mesmo com a possível compensação de distribuição de dividendos e do razoável desempenho dos papéis do BB, o governo pode ter apurado prejuízo aproximado de R$ 2 bilhões", avaliou César Bergo, economista da Planner Corretora.