BRASÍLIA
A tão aguardada "lista do Janot" revelou ao país que 49 políticos serão investigados pela suspeita de corrupção na Petrobras. Nos pedidos de abertura de inquéritos, todos aceitos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que autoridades recebiam propina semanal, quinzenal e mensal. E que as investigações "descortinaram a atuação de organização criminosa complexa", da qual faz parte o núcleo político.
Os números impressionam. Serão investigados simultaneamente, por ordem do ministro do STF Teori Zavascki, políticos de seis partidos, 22 deputados, 12 senadores e 13 ex-deputados. Os 49 são completados pela ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney e pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Entre os investigados, estão os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB. Renan é acusado de receber propina em sua casa, em Brasília. Doações de campanha da presidente Dilma em 2010 serão investigadas no inquérito contra o ex-ministro Antonio Palocci.
O partido com mais políticos na lista é o PP (31). A principal base dos pedidos de inquérito é a delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, indicado pelo partido. Os políticos da sigla, segundo o delator, recebiam mesadas de até R$ 500 mil provenientes de contratos a cargo do ex-diretor.
Na lista de Janot, há dois políticos da oposição. Um deles é o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), ex-governador de Minas, acusado de receber dinheiro de um ex-policial a serviço do doleiro Alberto Youssef. Foram arquivadas seis petições.
Para analistas, a lista vai aumentar a dificuldade da presidente Dilma de se reaproximar da base aliada no Congresso e aprovar as medidas do ajuste fiscal. Por outro lado, o PMDB sai enfraquecido, o que poderia abrir espaço para um acordo.