Os dois maiores bancos privados do país, Itaú Unibanco e Bradesco, estão mais pessimistas em relação ao desempenho da economia neste ano. Com a crise política se agigantando, a inflação corroendo o poder de compra dos trabalhadores, o Banco Central subindo juros, o arrocho fiscal e os riscos de racionamento de água e energia elétrica, as duas instituições acreditam que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) será bem maior do que o imaginado. Segundo o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, em vez de queda de 0,5%, a atividade econômica terá contração de 1,5%, taxa que, se confirmada, será a maior em pelo menos 25 anos. Nas contas de Ilan Goldfajn, economista- chefe do Itaú Unibanco, o PIB deve recuar 1,1% no primeiro ano do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Até então, ele apostava emrecuode0,5%. “A confiança das empresas e das famílias ainda em queda, as incertezas relacionadas ao ambiente político e a paralisação da atividade em cadeias importantes da economia nos levaram a revisar, mais uma vez, nosso cenário macroeconômico”, disse Barros. Segundo ele, apesar da contração do PIB, os brasileiros vão se deparar com inflação mais alta. Tanto que passou a projetar alta de 8% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Até então, estimava elevação de 7,5%. Diante desse quadro de disparada da inflação, não restará outra alternativa para o Banco Central a não ser manter a mão pesada sobre os juros. Na opinião do economista do Bradesco, a taxa básica da economia (Selic) chegará a 13,50% ao ano em junho, ou seja, o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda dará mais uma alta de 0,50 ponto percentual em abril e outra de 0,25 na reunião seguinte. Menos pessimista, Goldfajn, do Itaú, acredita que o BC levará a Selic para 13% no próximo mês, podendo encerrar o ciclo de aperto iniciado em 2013. Mas tudo dependerá do comportamento do dólar. A moeda americana encerrou as negociações de ontem cotada a R$ 3,25, o maior patamar desde abril de 2003, pressionando a carestia. Segundo o Banco Central, a cada 10% de alta no dólar, a inflação sobe pelo menos 0,50 ponto ao longo de 12 meses. Desde o início do ano, a divisa dos Estados Unidos acumula valorização superior a 22%. Quer dizer: há uma inflação contratada de um ponto percentual. Essa, inclusive, foi a razão de o economista do Bradesco ter aumentado a projeção para o IPCA de 2016, de 5,2% para 5,7%.

Fora da meta

BC insiste, porém, que levará a inflação para o centro da meta, de 4,5%, até o fim do próximo ano. Acredita que, com a economia em recessão, não haverá como a indústria repassar para o varejo a maior parte da maxidesvalorização do real. A instituição, por sinal, vinha comemorando o fato de as expectativas para o IPCA de 2016 estarem ancoradas em 5,5% há várias semanas. O problema é que, como a nova arrancada do dólar, os agentes econômicos refizeram as contas e passaram a ver um custo de vida maior. Foi o caso do Bradesco. Por conta da clara deterioração da economia, Octavio de Barros também reduziu as projeções de crescimento da economia para o próximo ano, de 2% para 1,5%. Muitos economistas, no entanto, falam em expansão abaixo de 1%.