Tensionada pelos problemas enfrentados pelo partido à frente da Presidência da República, a bancada do PT teme ser drasticamente reduzida nas próximas eleições para o Senado. O partido vê em 2018 o fim de 11 dos 14 mandatos na Casa. Em meio à crise política vivida pela base governista e à queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff, o receio é de que, mantido o atual cenário, haja um efeito dominó da perda de força política nas eleições para o Poder Legislativo.
“Ela está nos jogando em um buraco. Está acabando com a gente (petistas)”, desabafa um senador do partido. Ele destaca que a eleição de 2018 já será naturalmente complicada pelo fator numérico, já que apenas três senadores petistas — sendo um deles suplente da ministra Kátia Abreu (PMDB-TO), que pode voltar ao cargo caso deixe o Ministério da Agricultura — não precisarão disputar a reeleição para conquistar mais tempo na Casa. Para o cacique petista, a situação será ainda mais difícil se o governo Dilma não mudar.
Nas reuniões da bancada, que já não contam com a presença da senadora Marta Suplicy (PT-SP), não há quem defenda Dilma. A insatisfação com a presidente é geral. A senadores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a análise de que, se não houver mudança na inflexão política da presidente, o projeto político do PT acabou. “Não teremos cacife para eleger o sucessor da Dilma. Imagina deputados e senadores? A bancada no Senado corre o risco de ser dizimada”, avalia um aliado ao Palácio do Planalto.
A insatisfação cresceu ainda mais com o anúncio do ajuste fiscal. Ligado a bandeiras de sindicalistas e aposentados, o senador Paulo Paim (PT-RS) já anunciou que deixará o partido caso as medidas provisórias que restringem benefícios trabalhistas sejam aprovadas pelo Congresso. Para o senador Walter Pinheiro (PT-BA), no entanto, deixar o PT não é uma vontade generalizada da bancada. “Não tem esse movimento como grupo. São casos isolados. Estou incomodado com o governo, e não com o partido”, diz.
Pinheiro também critica publicamente o pacote de medidas anunciado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele reclama que o governo não chamou a base para participar da formulação das propostas antes de enviá-las ao Congresso. “Eu quero ajudar. Mas é preciso que o governo queira ser ajudado”, diz. Mas avalia que não é hora de ter 2018 como foco. “Ainda tem 2016 no meio. O maior desafio não é se preocupar com 2016 ou 2018, mas é exatamente governar. O que vai determinar em qual situação chegaremos às eleições é como estaremos governando”, comenta.
Sem diálogo
Os senadores reclamam que a presidente Dilma ainda não se reuniu com a bancada no período de crise. Eles lembram que Lula mantinha o hábito de se reunir individual ou coletivamente com parlamentares da base. “É um governo que fala de diálogo, mas não dialoga com a própria base. Só se lembra de fazer reuniões em momentos de crise, ou seja, só funciona no tranco”, pontua um aliado do Planalto.
Embora não seja um movimento consistente no momento, a debandada do partido está no horizonte de petistas. Além de Marta e Paim, Delcídio do Amaral (PT-MS) também estaria se aproximando de outros partidos. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ele é um dos mais insatisfeitos com o governo.
No partido, o caso de Marta Suplicy, que já negociou mudar para o PSB, é avaliado como distinto dos outros insatisfeitos. “Ela está mudando por circunstâncias eleitorais”, diz um petista. A senadora quer espaço para concorrer à Prefeitura de São Paulo. Lula já indicou que o partido deve apoiar a reeleição do atual prefeito Fernando Haddad.