Título: Prazo recorde para pagar financiamento
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 28/07/2011, Economia, p. 16

Volume de crédito ao consumidor sobe 12,3% neste ano e tempo médio de quitação dos empréstimos é o mais longo desde 2000

O consumidor continua se endividando como nunca e das mais variadas formas. Mas agora procura financiamentos mais longos, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central. "O brasileiro tem trocado empréstimos curtos e mais caros como forma de fugir dos juros altos do cheque especial e do cartão de crédito. O prazo médio de 575 dias nas operações de pessoas físicas, em junho, é o maior desde 2000, quando começou a série histórica", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Os empréstimos para pessoas físicas cresceram 1,8% em junho e somaram R$ 468,7 milhões. No ano, subiram 12,3%. O total de financiamentos bancários somou R$ 1,834 trilhão em junho, volume 1,6% acima do de maio e 7,5% superior no semestre. Dados parciais de julho indicam uma leve desaceleração nas concessões. "Até o dia 13, elas registravam aumento de 0,8% no mês, sendo 1,4% para pessoa física e 0,3% para empresas", adiantou Maciel.

A taxa média de juros da pessoa física ficou em 46,1% ao ano em junho, com recuo de 0,7 ponto percentual em relação a maio e alta de 5,5 pontos neste ano. "O crédito ainda está caro, mas o consumidor olha muito se a prestação se encaixa no bolso e, por isso, acaba escolhendo prazos maiores", disse o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio ( CNC), Carlos Thadeu de Freitas. "Esse custo elevado tem feito o consumidor se endividar cada vez menos, a não ser no financiamento imobiliário. O crédito está sadio e não existe risco de bolha."

O endividamento do brasileiro no cheque especial saltou 1,2% em junho e 26,5% no ano. Em 12 meses, o aumento foi de 14,5%. Já os empréstimos rotativos no cartão de crédito subiram 0,2% em junho, 13,9% no semestre e 16,4% em 12 meses. Enquanto isso, os financiamentos mais baratos, como o crédito pessoal (CDC) e imobiliário, avançaram em ritmo mais acelerado: 1,9% e 8,6% em junho, 11,1% e 41,14% no semestre e 87,4% e 22,5% em 12 meses, respectivamente. As operações de consignado (desconto em folha de pagamento) avançaram 1,7% no mês e 7,9% de janeiro a junho.

A boa notícia ficou por conta da inadimplência, que se manteve estável em junho, média de 5,1%, (sendo 6,4% para a pessoa física e 3,8% para empresas). No entanto, o percentual da pessoa física que deixou de honrar seus compromissos por mais de 90 dias no cheque especial subiu de 8,3% para 8,4%, ainda abaixo do pico de 9,2% em janeiro. No crédito pessoal, o calote também teve leve alta, passando de 4,6% para 4,7%.