O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi hostilizado ontem por manifestantes nas galerias da Assembleia Legislativa de São Paulo, que visitava como parte de uma caravana para apresentar os trabalhos do Legislativo do país. Sob vaias, o deputado foi chamado de corrupto, machista e homofóbico. Houvebeijo gay, além de faixas e cartazes pedindo "Fora Cunha" e "Assembleia Constituinte já".

Eram pouco mais de 9 horas quando o deputado entrou no plenário principal da Assembleia. Foi o suficiente para que o protesto começasse. Ao ser anunciado pelo presidente do Legislativo estadual, Fernando Capez, os manifestantes reagiram com vaias. Alguns deputados que vieram de Brasília para acompanhar o presidente da Câmara na capital paulista responderam com aplausos, mas o grupo, de cerca de 20 pessoas dos movimentos Juntos!, Rua e Mães pela Diversidade, não se intimidou.

Cunha começou a discursar, mas os gritos e vaias eram mais altos. De cima da tribuna, ele tentou reagir:

- A educação manda que a gente aprenda a escutar para protestar - disse o presidente da Câmara.

Não funcionou. Os manifestantes gritavam "fora Cunha", "corrupto, homofóbico e machista". Um casal de rapazes se beijou como parte do protesto. Outro invadiu a área restrita para deputados. Um parlamentar, então, pediu que todos os presentes nas galerias fossem retirados. A polícia foi chamada e a sessão ficou suspensa por 10 minutos até o esvaziamento completo do local.

Sem público e falando apenas para colegas de Legislativo, Cunha retomou o discurso e explicou que o objetivo da caravana (Câmara Itinerante) é "ouvir o povo". Mais tarde, perguntado se o discurso não era incoerente com a expulsão dos manifestantes, justificou:

- Ali não eram pessoas que queriam participar de uma audiência pública. Eram pessoas escaladas para fazer movimento político. Ali não havia debate, mas guerra. Um grupo colocado exclusivamente com essa finalidade.

Agenda com tucanos

Para Cunha, os manifestantes estavam ali a serviço do PT e do PSOL. Os grupos negam vínculo partidário.

O presidente da Câmara cumpriu ontem em São Paulo uma agenda típica de candidato em ano de eleição. Ele visitou uma ONG que trata animais vítimas de maus tratos. Depois, conferiu o trabalho de uma entidade que cuida de portadores de paralisia cerebral. Por fim, conheceu um centro de reabilitação para pessoas com mobilidade reduzida. Nesta visita, Cunha teve a companhia do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do senador José Serra, ambos do PSDB.

O peemedebista negou que a presença das duas lideranças tucanas e a troca de gentilezas durante a visita seja uma aproximação política com vistas a 2018.

Perguntado se o PMDB toparia reduzir sua participação nos ministérios, ele afirmou:

- A gente abre mão de todos (os ministérios) se for necessário.

O deputado voltou a criticar a refundação do PL, que gerou nova crise com o Planalto.

- O governo tem que aprender, através dos seus representantes da articulação política, a fazer a política correta com aqueles que eles querem como seus aliados.