O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e o senador José Serra (PSDB-SP) reforçaram ontem o coro contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Enquanto o primeiro disse que é necessário “ter tranquilidade institucional” no país, o tucano defendeu que a oposição precisa ter “responsabilidade”.

Novo articulador político do Palácio do Planalto, Temer disse que discutir o impeachment é “impensável”. Ele participou ontem do Seminário Empresarial Brasil-Portugal, em Lisboa. “Eu acho impensável porque nós temos que ter tranquilidade institucional”, disse o peemedebista, acrescentando que “não podemos abalar as nossas instituições democráticas”.

Temer afirmou ainda que a declaração contrária ao impeachment dada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é “extremamente útil”. No domingo, Cunha disse que não aceitaria um eventual pedido de impeachment contra Dilma baseado em fatos ocorridos no primeiro mandato.

Já Serra abordou o tema em palestra na Universidade de Harvard (EUA). Ele disse que impeachment ocorre “quando se constata uma irregularidade que, do ponto de vista legal, pode dar uma razão a interromper um mandato”. “Acho que essa questão ainda não está posta”, declarou o tucano.

“Impeachment não pode ser programa de governo de ninguém”, reforçou Serra. Para ele, o tema é bandeira de “três quartos da população” insatisfeita com o governo. “É óbvio que a crise é toda responsabilidade do governo. Não é a ação da oposição, nem do Ministério Público, nem do Congresso”, afirmou, destacando que a oposição tem de se preocupar em fazer denúncias, críticas e propostas.

A declaração é na mesma linha da dada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O ex-presidente disse que “impeachment não pode ser tese”. “Quem diz se houve razão objetiva é a Justiça e a polícia. Os partidos não podem se antecipar a tudo isso. Não faz sentido. É precipitação”, disse o tucano, no domingo.

Pareceres
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), tem usado outra linha de discurso. Na última quinta-feira, ele disse que o partido pode pedir o impeachment caso fique comprovada a participação da petista nas chamadas “pedaladas fiscais”. No Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro José Múcio Monteiro deu parecer em que alega que o governo federal cometeu crime de responsabilidade fiscal ao usar recursos de bancos públicos para melhorar as contas. “Se caracterizado, na nossa avaliação, por juristas respeitados no Brasil, que tenha havido crime de responsabilidade, a nossa obrigação é realmente apresentar algo para coibir esse crime e punir os responsáveis”, disse.

Na semana passada, Aécio recebeu lideranças das manifestações de rua contra a presidente Dilma. No ato, anunciou que PSDB, DEM, PPS, PV e SDD decidiram agir de forma conjunta em relação a um eventual pedido contra a petista. O líder dos tucanos na Câmara, Carlos Sampaio (SP), disse que amanhã devem ficar prontos pareceres encomendados pelo partido a juristas sobre a possibilidade de pedir o impeachment. “Então, teremos o embasamento para que esse sentimento das ruas, que também é nosso, seja respaldado juridicamente”, comentou Sampaio.