O PSDB anunciou ontem a líderes das manifestações de rua contra a presidente Dilma Rousseff que receberá pareceres sobre a possibilidade de pedir o impeachment da petista na semana que vem. Depois de reunião, liderada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), DEM, PPS, PV, SDD e os tucanos decidiram agir de forma conjunta em relação a um eventual pedido contra Dilma.

Líderes de 23 movimentos entregaram à oposição um documento com demandas que, segundo eles, vêm das ruas. Em referência à Carta ao Povo Brasileiro, apresentada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial, o texto foi chamado de “Carta do Povo Brasileiro”. Além do impeachment de Dilma, eles cobram, entre outros itens, o fortalecimento da Polícia Federal e a redução de ministérios.

Aécio disse que há convergência entre a maioria das demandas e o pensamento da oposição. “Vamos buscar as convergências pelo que eu li, elas são muitas, para que possamos dar encaminhamento a esse sentimento de indignação, de cansaço e de frustração que vive hoje grande parte da população”, disse o tucano, ao lado de outras lideranças da oposição.

De acordo com o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), pareceres jurídicos encomendados pelo partido serão entregues na semana que vem. “Ninguém deve ter receio de tratar desse tema: impeachment. É um preceito constitucional. (...) Passamos a desenvolver uma série de estudos, que serão concluídos até terça-feira. Então, teremos o embasamento para que esse sentimento das ruas, que também é nosso, seja respaldado juridicamente”, disse.

A oposição foi cobrada pelos líderes das manifestações. O porta-voz do movimento Vem pra a Rua, Rogério Chequer, disse que os cidadãos estão cumprindo o dever de cobrar nas ruas mudanças no governo, mas que a oposição precisar adotar medidas mais efetivas. “Faz sete meses que as ruas se organizam e protestam. Isso é sem precedentes no Brasil. Se até as ruas são capazes de se organizar, por que a oposição não pode?”, questionou Chequer.

Integrante do Vem pra a Rua, Janaína Lima disse que quem está cumprindo o papel de oposição é a população, que está lotando as manifestações. Ela cobrou que os parlamentares adotem a pauta entregue pelos movimentos. “Temos que ser vigilantes com essa pauta, para que parlamentares que agora dizem ser a favor dessa pauta depois não votem contra qualquer um desses itens; para que as investigações sobre a Lava-Jato não virem um acordão”, disse, acrescentando que os líderes dos movimentos são contrários à indicação de Luiz Fachin ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bloco
A oposição reagiu dizendo que a pauta de reivindicações das ruas é a mesma que a oposição defende há anos. “O fato novo é que vocês popularizaram essa pauta”, disse Aécio.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que, antes, as denúncias da oposição não tinham ressonância. “Agora se entende que ninguém ali estava falando por ser contra o governo, mas por ser a favor da democracia”, afirmou.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), defendeu que haja encontros frequentes entre as lideranças da rua e a oposição. “Para que a gente possa se somar em argumentos e disposição. Fiquem absolutamente tranquilos: a oposição está unida”, comentou.

Candidato a vice-presidente da República na chapa da ex-senadora Marina Silva, Beto Albuquerque também participou do encontro. “Estamos aqui para dizer sim às agendas da rua. (...) Devemos prestigiar o Judiciário brasileiro, sem o qual não haverá punição aos envolvidos. Nesse cenário de lama, ninguém pode sair impune”, disse.

Os ativistas reclamaram mais uma vez do Congresso ao dizer que um pedido de afastamento do ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, “por não atender ao critério de imparcialidade”, não foi aceito. Na terça-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), determinou o arquivamento do pedido contra Toffoli, apresentado na semana passada por um cidadão, por considerar que os argumentos não eram válidos.