Rio - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, desafiou a presidente Dilma Rousseff a sair “do palácio” e “ouvir o povo” durante ato em defesa da Petrobrás, realizado nesta sexta-feira, 13, no centro do Rio. Ele afirmou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é um “infiltrado” no governo petista e voltou a atacar o que chamou de tentativa de golpe, referindo-se aos protestos pró-impeachment marcados para este domingo, 15.
A manifestação, que prometia ser também uma espécie de desagravo à presidente, deu espaço a críticas à política econômica e aos cortes de direitos trabalhistas. “Não aceitaremos redução de nenhum direito da classe trabalhadora”, discursou Stédile. “Para enfrentar a crise é preciso acabar com a transferência de juros dos bancos. E usar esse dinheiro para fortalecer os investimentos produtivos. Por isso, dona Dilma, se tem coragem, saia do Palácio e vem aqui para a rua para ouvir o que o povo quer de mudança.”
Pelo menos 1.500 pessoas participaram do ato, segundo a Polícia Militar (PM). Organizadores não haviam divulgado estimativa até esta edição ser concluída. Convocada por centrais sindicais, a manifestação reuniu petroleiros, estudantes, bancários, metalúrgicos, enfermeiros e funcionários demitidos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

João Pedro Stédile, líder do MST. Para ele, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é um infiltrado dos bancos no governo da presidente Dilma Rousseff
Moradores de Campos e Macaé, cidades no Norte Fluminense com forte presença da Petrobrás, chegaram em 20 ônibus. Um militante disse ao Estado que parte do grupo recebeu R$ 70 para participar do ato, além de lanche composto por guaraná, biscoito e maçã.
Todos vestiam camisas laranjas do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindpetro- NF) e com inscrição em defesa da Petrobrás.
Donas de casa e aposentadas que vieram nos ônibus ficaram sentadas na escadaria da Câmara Municipal. “Concordo com tudo o que estão dizendo, mas vim mesmo conhecer o Rio”, disse uma mulher, que não quis se identificar. Ela negou ter recebido dinheiro.
“Trouxemos pessoas que direta ou indiretamente foram afetadas pela crise da Petrobrás. Não procede a informação de que manifestantes foram pagos. Não fazemos isso. Mas cada um responde por si”, disse o diretor do Sindpetro-NF, Leandro Ferreira.
Escolta. Stédile, principal nome do ato, chegou escoltado por quatro seguranças. Em entrevista, pediu garantias de vida à Secretaria de Segurança Pública, por causa das ameaças sofridas pela internet. “O que a direita está fazendo é tentativa de homicídio pelas redes sociais”, disse, referindo-se à montagem com sua foto que está circulando pelo Facebook com um cartaz de “procurado”, que oferece “recompensa” de R$ 10 mil a quem capturá-lo “vivo ou morto”.
Apesar do tom crítico ao governo, Stédile lembrou que Dilma foi eleita democraticamente. “Estamos dizendo para a burguesia: vocês não se atrevam a falar em golpe. Nós estamos aqui para defender a democracia e o direito legítimo do povo de defender seu governante”, afirmou. No discurso, ele repetiu expressão dita na véspera, em Porto Alegre: “Vamos engraxar as botas para voltar a ocupar as ruas do Brasil”.
PROTESTOS DAS CENTRAIS
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Tiago Queiroz/Estadão
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Professores e Centrais Sindicais protestam embaixo do vão livre do Masp e pela Avenida Paulista
Stédile criticou os episódios de corrupção na Petrobrás e o benefício da delação premiada; “Estamos aqui por causa da corrupção na Petrobrás. Meia dúzia de gerentes filhos da puta botaram as mãos no dinheiro. (...) Lugar de ladrão é na cadeia e não com delação premiada para se livrar da lei”, disse o coordenador do MST.
Também discursaram no ato políticos como o ex-presidente nacional do PSB Roberto Amaral, ex-ministro do governo Lula. “Não haverá um novo 64, porque já estamos nas ruas”, afirmou. “A Petrobrás não pertence ao governo ou aos investidores, pertence ao povo. Ninguém vai tirar um dia do mandato da presidente Dilma”, discursou Amaral.
Participaram ainda os deputados federais Glauber Braga(PSB-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ)e Alessandro Molon (PT-RJ) e o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, presidente do PT-RJ, que se envolveu em polêmica ao defender nas redes sociais “porrada contra fascistas”.
‘Revoltados’ reúnem 70 pessoas na Avenida Paulista
Movimentos favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff reuniram nesta sexta-feira, 13, 70 pessoas em São Paulo e 137 em dois atos em Brasília. As manifestações foram organizadas para que fossem uma espécie de “esquenta” antes dos protestos anti-Dilma marcados para amanhã.
Em São Paulo, manifestantes ligados ao movimento Revoltados On Line, que defendem o impeachment de Dilma, se concentraram em frente à sede da Petrobrás, na Avenida Paulista. Eles foram obrigados a interromper o protesto, que durou menos de uma hora, em razão da forte chuva que atingiu a região.

Protesto do Grupo Revoltados On Line em frente ao escritório da Petrobrás em SP
O ato, cujo início estava previsto para as 15h, começou com atraso. Segundo membros do Revoltados On Line, a demora do início do protesto foi uma orientação da Polícia Militar para evitar confrontos com a manifestação pró-Dilma organizada por centrais sindicais marcada para o mesmo local e que ocorreu um pouco antes. “Fomos orientados pela PM a esperar o pessoal da CUT dispersar. Havia um acordo no qual eles deveriam ter deixado o local às 15h. Mas, como é de praxe, eles não cumpriram”, afirmou Éder Borges, organizador do protesto.
A manifestação contou com um carro de som, sobre o qual o fundador do Revoltados On Line, o empresário Marcello Reis, defendeu o afastamento da presidente. Segundo Reis, impeachment não é golpe.
Buzinaço. Ontem também houve dois protestos anti-Dilma em Brasília. Um deles reuniu sete pessoas ligadas ao Revoltados On Line em frente à Petrobrás e terminou com um buzinaço na Esplanada dos Ministérios. No outro ato, em uma ação rápida, que durou cerca de dez minutos, 130 motoqueiros interditaram uma pista em frente ao Planalto do Planalto para promover um buzinaço. Enquanto isso, aceleravam suas motos. Todos os atos foram pacíficos. / RICARDO CHAPOLA, DANIEL CARVALHO, BERNARDO CARAM e TÂNIA MONTEIRO
Após os discursos, os manifestantes caminharam até a Petrobrás e fizeram um abraço simbólico à sede da empresa. O ato terminou sem registro de tumultos.