Título: Estrangeiros atrás de bons partidos
Autor: Cristino, Vânia; Nunes, Vicente
Fonte: Correio Braziliense, 29/07/2011, Economia, p. 8
A equipe econômica acredita que as altas taxas de juros no Brasil ¿ 12,50% ao ano ¿ não podem ser apontadas como responsáveis pela forte valorização do real, movimento que o governo decidiu frear ao cobrar 1% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas apostas contra o dólar nos mercados futuros (derivativos). O argumento é de que moedas como o franco suíço, o dólar canadense e o dólar australiano têm registrado altas ainda maiores do que as da divisa brasileira, a despeito de a Suíça, o Canadá e a Austrália terem juros baixíssimos. "O capital estrangeiro está vindo em massa para o Brasil porque o país se tornou um bom partido", disse um assessor do Palácio do Planalto.
Na avaliação de um integrante da equipe econômica, também não se pode dizer que as medidas para conter a especulação nos mercados futuros são paliativas. "Isso é uma falácia. Estamos protegendo a economia do país. E vamos fazer o que for necessário para que distorções não ponham em perigo os ganhos conquistados ao longo dos últimos anos", afirmou. A seu ver, os controles do câmbio e da inflação são prioridades da presidente Dilma Rousseff.
Mas a desconfiança reina no mercado, sobretudo em relação aos rumos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas de inflação. Tanto que o economista- chefe do Banco Credit Suisse, Nilson Teixeira, manteve a previsão de mais uma alta da taxa básica de juros (Selic), apesar de a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ter indicado o fim do arrocho. "Nossa expectativa para a dinâmica da Selic nos próximos meses não mudou com a publicação da ata. Mantemos a expectativa de aumento da Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de agosto", afirmou.
Também na opinião do economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, o BC não escapará de promover uma elevação de 0,25 ponto nos juros no mês que vem. Para ele, a exclusão do termo "suficientemente prolongado" da ata do Copom não serve de garantia à manutenção da taxa básica no atual patamar. (VC e VN)