Título: Todos contra Correa
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Fonte: Correio Braziliense, 23/07/2011, Mundo, p. 25
EQUADOR Em solidariedade ao diário processado pelo presidente, jornais protestam contra a censura. Ex-editor do El Universo foi condenado a três anos de prisão e a pagar US$ 30 milhões ao chefe de Estado Novas manifestações contra a condenação do jornal El Universo pela Justiça do Equador foram feitas ontem por diários do país. Os jornais Comercio e Hoy publicaram suas seções de Opinião de modo diferente, em protesto ao processo movido pelo presidente Rafael Correa. O chefe de Estado alegou ter sido caluniado pelo matutino e ganhou a causa em primeira instância. Tanto o presidente como os condenados pretendem recorrer da decisão. As colunas dos articulistas do Comercio traziam apenas os títulos que as identificam e frases de solidariedade ao El Universo. O Hoy optou por escrever nesses espaços: "Pretendem calar a opinião livre, plural, independente e o pensamento próprio". As reclamações de sexta-feira se somaram a outras realizadas um dia antes por legisladores, cidadãos e entidades relacionadas ligadas à imprensa.
Em Guayaquil, cidade onde o jornal foi fundado há 90 anos, a Câmara Municipal aprovou uma moção de apoio aos condenados. Em frente à sede do El Universo, dezenas de pessoas gritaram palavras de ordem e empunharam cartazes com frases como "Queremos viver em liberdade sem mordaça", "Livres, sem escravidão" e "Não nos calarão".
Em âmbito internacional, as repercussões seguiram a mesma linha. A Sociedade Interamericana de Imprensa considerou o processo uma "profunda deterioração" da liberdade de expressão. A organização Repórteres Sem Fronteira denunciou uma estratégia do presidente Correa de calar a oposição que ele enfrenta na imprensa. E a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão ligado à Organização de Estados Americanos (OEA), avaliou que a atitude era um tipo de censura indireta.
Muitos consideraram as sentenças infundadas. Emilio Palacio, ex-editor de Opinião do jornal, deverá indenizar Correa em US$ 30 milhões e cumprir três anos de prisão. A mesma reclusão foi aplicada aos donos do El Universo, os irmãos Carlos, Cesar e Nicolás Pérez, além de uma multa de US$ 10 milhões.