Título: Renovação total
Autor: Azedo, Luiz Carlos; Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 23/07/2011, Política, p. 2
Em entrevista ao Correio, presidente Dilma Rousseff afirma que a reestruturação dos Transportes será ampla, com dança das cadeiras em todos os cargos de comando do ministério, do Dnit e da Valec
O que não está funcionando precisa começar a funcionar. O que estamos fazendo é obrigação do governo. Temos de ter mais eficiência" O governo pretende ter um controle maior da execução financeira e orçamentária das obras de infraestrutura. É função do governo impedir que haja inconformidades" Dilma Rousseff, presidente da República
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, durante conversa com repórteres dos principais veículos de comunicação do país, que todos os cargos de comando do Ministério dos Transportes, do Dnit e da Valec serão substituídos. Dilma ¿ que também falou sobre economia, Copa de 2014, educação e sigilo de documentos (leia nas páginas 3 a 7) ¿ considerou a palavra "faxina" inadequada.
Para ela, o que está ocorrendo é uma renovação completa para que a máquina pública ganhe eficiência. "O que não está funcionando precisa começar a funcionar. O que estamos fazendo é obrigação do governo. Temos que ter eficiência", disse.
A presidente deixou claro que nem todos os exonerados são pessoas suspeitas de irregularidades. Do início da crise até agora, foram 16 demissões. "Temos que ter cuidado (nesses julgamentos) porque tem gente que é inocente", afirmou. A presidente reconhece que nem todos na estrutura da pasta estão comprometidos, mas sinaliza que alguns exonerados terão de responder por erros cometidos. "Existem algumas coisas que precisam ser investigadas", declarou.
O mais recente exonerado foi o diretor de infraestrutura rodoviária, Hideraldo Caron (leia ao lado), um dos poucos integrantes da estrutura do Ministério dos Transportes filiado ao PT. A crise na pasta teve início em 2 de julho, a partir da revelação de um esquema de superfaturamento e cobrança de aditivos em obras rodoviárias e ferroviárias destinados, supostamente, a abastecer o caixa 2 do PR.
Indicações Em resposta a lideranças do partido, que reclamaram que a "legenda está sendo demonizada e que as demissões a conta-gotas são absurdas", Dilma declarou que não se deve demonizar nem "a política, nem os políticos". Ela alertou, contudo, que o bom funcionamento do governo é bom para a base aliada e um poder público eficiente é essencial para os partidos governistas. Dilma está disposta a desmontar o esquema de loteamento que a legenda impôs na pasta.
Nas superintendências estaduais do Dnit, por exemplo ¿ que já perdeu cinco diretores, além de Luiz Antonio Pagot, que será exonerado em breve ¿ das 27 unidades, 16 têm indicação política. Em Alagoas, no Amazonas, em Roraima, no Mato Grosso do Sul, no Pará, no Amapá, em São Paulo, em Sergipe, em Goiás e no Distrito Federal, os superintendentes são oficialmente filiados ao PR.
Nos estados de Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Paraná, Pernambuco e Tocantins, os chefes são servidores de carreira sem filiação à legenda, mas indicados por líderes do partido. A intenção da presidente, como adiantou o Correio, é promover as principais mudanças antes do início dos trabalhos parlamentares do segundo semestre, já que os principais cargos precisam ser sabatinados pelo Congresso. Ela não adiantou nomes durante a conversa nem qual é o perfil imaginado para os futuros ocupantes dos cargos.
A presidente ressaltou que a mudança será mais do que uma mera troca de nomes e padrinhos políticos. Ela quer alterar procedimentos. "O governo pretende ter um controle maior da execução financeira e orçamentária das obras de infraestrutura", declarou Dilma. Ela admitiu que pode haver "discrepâncias" no momento de elaboração dos projetos básicos das obras. Para corrigir essas distorções, o governo passou a exigir projetos executivos bem elaborados. "É função do governo impedir que haja inconformidades nos projetos", justificou. Dilma lembrou que existem várias obras de infraestrutura sendo conduzidas pelo governo federal em todo o país. Por isso, defendeu uma ação mais precisa do Executivo para que "as coisas funcionem".