Título: Disparos e morte na ilha
Autor: Tranches, Renata; Sabadini, Tatiana
Fonte: Correio Braziliense, 23/07/2011, Mundo, p. 22

Enquanto o caos tomava conta do centro de Oslo, a alguns quilômetros dali, na ilha de Utoeya, um homem vestido como policial atirava contra um grupo de cerca de 600 jovens reunidos em um acampamento do Partido Trabalhista. Até a noite de ontem, as autoridades confirmaram nove mortos, mas circulavam informações na internet de que o número poderia aumentar. O local deveria receber hoje a visita do primeiro-mininistro, Jens Stoltenberg. O atirador foi preso e identificado inicialmente como um norueguês de 32 anos e acusado por ambos os atentados. De acordo com a emissora TV2, ele é louro, atlético, tem aproximadamente 1,90m de altura e teria se apresentado como ¿um nacionalista¿. Até a madrugada de hoje (horário local) ele continuava sendo interrogado.

O subchefe de polícia de Oslo, Sveining Sponheim, também afirmou a jornalistas que o número de mortos no tiroteio pode ser maior. Pessoas que estavam no local apontaram entre 20 e 30 vítimas. Sponheim informou ainda que os policias enviados para enfrentar o ataque encontraram na ilha explosivos não detonados. Segundo Sponheim, a polícia estava investigando o incidente na ilha e não poderia dizer se havia mais de um atirador. O comissário garantiu, segundo a agência France-Presse, que a polícia tem ¿boas razões¿ para acreditar em um vínculo entre o tiroteio e o ataque no centro de Oslo.

Várias testemunhas relataram à rede de TV pública NRK que o atirador, armado com um fuzil automático, dizia ¿venham aqui¿ e executava os jovens, em seguida. Muitos tentaram fugir se jogando na água, relataram testemunhas à agência de notícias France-Presse. Outros se escondiam entre os arbustos, na esperança de não serem percebidos pelo assassino. No microblog Twitter, usuários pediam para que conhecidos dos jovens não tentassem telefonar para eles, de maneira a não expô-los ao risco de serem localizados pelo atirador. O ministro das Assuntos Exteriores, Jovas Gahr Store, confirmou, em entrevista à rede pública britânica BBC, que vários adolescentes se atiraram na água para fugir dos tiros.

Disfarce Ainda segundo relatos, o autor da matança teria se apresentado no acampamento como um responsável pela segurança dos participantes. Ele teria usado como pretexto o argumento da explosão no centro de Oslo, ocorrida pouco tempo antes, para justificar sua presença armado entre os jovens reunidos pelo partido governista.

O chanceler Jovas Gahr Store explicou que o acampamento da juventude trabalhista reúne jovens entre 15 e 16 anos. ¿É uma tradição de algum tempo no partido¿, explicou o ministro, que tinha estado na ilha. No campo, os jovens se dedicam sobretudo a atividades esportivas.