A Petrobras deixará de compor o Índice Global Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI World, na sigla em inglês) a partir de 23 de março. A estatal, que estava listada desde 2006, foi retirada por causa das denúncias de corrupção investigadas no âmbito da Operação Lava-Jato. O índice foi criado em 1999 e é considerado referência global de ações de empresas com boas práticas. Com base na análise das 2.500 maiores companhias do planeta, o comitê do DJSI acompanha as empresas para verificar se elas não estão envolvidas em casos de crime, corrupção, fraudes, comércio ilegal, problemas em violações de direitos humanos, disputas e condições trabalhistas, além de acidentes e desastres ecológicos.
Em nota, a Petrobras afirmou ontem que o comitê do índice vai monitorar a evolução das investigações e o posicionamento da Petrobras ao longo deste ano, podendo reconsiderar a participação da companhia a partir de 2016.
A perda do Índice de Sustentabilidade da Dow Jones é mais uma péssima notícia para a Petrobras, avalia Pedro Galdi, da consultoria independente Research. Para ele, isso pode levar mais investidores no exterior a se desfazerem de papéis da estatal.
'a gente precisa extirpar esse câncer'
Na interpretação do analista, a decisão do comitê é um sinal de que os problemas de corrupção da estatal podem comprometer seu programa de investimentos, o que, em última instância, poderia afetar também aspectos ambientais.
- Além do receio de que a empresa poderá investir menos em segurança, muitos investidores que buscam aplicar recursos nessa carteira de empresas do índice de sustentabilidade podem se desfazer dos papéis. Isso é muito ruim para a Petrobras - disse Pedro Galdi.
Mais cedo, Hugo Repsold Junior, há pouco mais de um mês no cargo de diretor de Gás e Energia da Petrobras, disse, em sua primeira aparição pública, que a estatal vive um momento delicado e de grande complexidade, em referência às denúncias que causaram a demissão coletiva da diretoria da estatal no mês passado.
Segundo o executivo, a atual diretoria tem a árdua tarefa de concluir o balanço contábil do ano passado auditado. Repsold, que participou de aula inaugural na Coppe/UFRJ, evitou dar mais detalhes sobre as atuais medidas que a companhia tem tomado alegando estar em período de silêncio até a publicação do balanço. Ele disse que o escândalo de corrupção "foi uma coisa horrível" e que não pode ser tratado com homeopatia.
- A gente precisa extirpar esse câncer. Mas estou muito confiante, pois sou otimista, e porque, nos 30 anos de companhia, vi essa capacidade de a companhia superar essas dificuldades - destacou.