Título: PR deixa bloco
Autor: Lyra, Paulo de Tarso; Rothenburg, Denise
Fonte: Correio Braziliense, 03/08/2011, Política, p. 2

O Executivo foi surpreendido com o êxito da oposição em recolher as assinaturas para a CPI dos Transportes. Os líderes do governo no Senado monitoraram a evolução da coleta de adesões e avisaram o Palácio do Planalto, mas admitiram não esperar que, em menos de duas horas, o PSDB conseguisse as firmas necessárias. A primeira impressão é de que o poder de estrago do discurso de Alfredo Nascimento foi subavaliado. "O Alfredo atacou o governo e, na hora dos apartes, as primeiras intervenções foram do PR e da oposição. Apenas no fim, os líderes governistas pediram a palavra", lamentou um articulador do governo.

Mas o PR não assinou o pedido de CPI, embora não tenha escondido a irritação com o Planalto. O partido anunciou que romperá o bloco que forma com o PT no Senado. "De que adianta fazer parte de um bloco se somos os últimos a serem ouvidos?", questionou o líder do partido na Casa, Magno Malta (ES).

A legenda também anunciou que não faz mais questão de reivindicar espaço no Ministério dos Transportes. "O Alfredo (Nascimento) é do partido, mas o Paulo Sérgio Passos, não. Apesar de filiado ao PR, a escolha dele é uma decisão pessoal da presidente Dilma Rousseff", disse o líder do PR na Câmara, deputado Lincoln Portela (MG). "Ele sempre atendeu bem o PR e os demais partidos. Mas não é um quadro do Partido da República", completou o parlamentar mineiro. (PTL)