Título: Reforço nos hospitais das cidades sedes
Autor: Braga, Juliana
Fonte: Correio Braziliense, 04/08/2011, Brasil, p. 11

Ministério da Saúde e gestores dos locais que receberão os jogos do Mundial definem medidas para melhorar os serviços de urgência e emergência no SUS

Representantes do Ministério da Saúde reúnem-se com gestores municipais e estaduais, hoje e amanhã, em Fortaleza, para traçar estratégias de como se preparar para a Copa de 2014. A prioridade da pasta é a reestruturação da rede de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). Também será discutido como prevenir epidemias de doenças comuns no Brasil ou trazidas pelos estrangeiros. Espera-se a vinda de 600 mil torcedores de outros países e a circulação, nas 12 cidades sedes, de 3,3 milhões de brasileiros para assistir aos jogos.

O Plano de Fortalecimento de Urgência e Emergência pretende melhorar o atendimento desde o momento em que o Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) faz o resgate até a internação. "Não adianta ter um bom serviço de remoção dos pacientes se não houver nos hospitais equipes preparadas para receber os pacientes ou leitos", afirma o coordenador da Câmara Temática da Saúde para a Copa 2014, Adriano Massuda.

Entre as ações previstas estão a capacitação para o atendimento bilíngue, o aumento do número de leitos e melhorias no sistema de regulação, que trata da comunicação entre o Samu e os hospitais. O plano depende de aprovação de secretários de saúde estaduais e municipais, mas o coordenador da Câmara espera que, no próximo semestre, ele comece a ser executado. A previsão é de reestruturar o sistema até 2013, quando o Brasil recebe a Copa das Confederações. "Sabemos que fazer mudanças na área de saúde nunca é simples. O importante é ver evolução", diz Massuda.

Segundo o professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Márcio Florentino, somente com altos investimentos será possível atender a demanda que será criada com a Copa de 2014. "É preciso superar a falta de investimento desses anos todos. A estrutura já não está dando conta da nossa demanda interna."

Na reunião em Fortaleza, os gestores locais apresentarão as condições do sistema de saúde de suas cidades. Com essas informações, farão com o ministério um plano de ações, identificando áreas críticas e prioritárias. "O papel do ministério é coordenar as ações. Quem executa são os governos locais", enfatiza Adriano.