Dilma diz que estatal está de pé e 'limpou o que tinha de limpar'

 

Segundo presidente, os que se aproveitaram para enriquecer já saíram

Alexandre Rodrigues

alexandre.rodrigues@oglobo.com.br

Escândalos na petrobras

Mesmo sem a conclusão das investigações da Operação Lava-Jato, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que a Petrobras está refeita da crise desencadeada pelo escândalo de corrupção que levou à cadeia três ex-diretores da estatal. Em discurso na entrega de casas em Duque de Caxias, ela disse que a empresa já passou por uma depuração interna e "limpou o que tinha de limpar".

Embora a empresa siga sob desconfiança do mercado, sem conseguir fechar o balanço auditado de 2014 por causa das perdas com a corrupção, estimadas em mais de R$ 2 bilhões pelo Ministério Público, Dilma tentou tranquilizar os moradores da cidade onde está instalada a maior refinaria da estatal, a Reduc.

- Quero dizer a quem tem sua vida ligada à Petrobras que a empresa está de pé. Limpou o que tinha de limpar. Tirou aqueles que se aproveitaram dela para enriquecer seus próprios bolsos. Vocês podem ter certeza de uma coisa: a Petrobras não só já deu a volta por cima como hoje mostrou a que veio - afirmou Dilma, referindo-se ao recorde de produção diária de 700 mil barris na produção das reservas do pré-sal, atingido pela Petrobras em dezembro de 2014, seis meses após ter rompido a marca dos 500 mil barris diários.

Dilma também afirmou que a Petrobras é reconhecida no exterior e que uma prova disso é o prêmio da Offshore Technology Conference (OTC) que a estatal receberá em Houston, nos Estados Unidos, o maior da indústria do petróleo mundial. Segundo Dilma, a companhia "dará muito mais orgulho ao país do que já deu". Ela pediu à plateia que "não se deixe enganar". E arrematou:

- Se a seleção é a pátria de chuteiras, a Petrobras é a pátria de macacão e as mãos sujas de óleo.

A presidente foi aplaudida por um grupo de sindicalistas da Frente Única dos Petroleiros (FUP), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, que estava na plateia usando jalecos laranjas e crachás da estatal. Dilma disse não ter notado o grupo na plateia, apesar de os cerca de 20 integrantes ocuparem uma área reservada entre os beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida convidados para a cerimônia. Mesmo com os desvios de recursos da Petrobras identificados pela Lava-Jato, a FUP tem apoiado o governo como forma de defender a estatal do que identifica como um plano para privatizá-la ou alterar o regime de partilha na exploração do pré-sal.

- A Petrobras superou essa fase. Ela agora vai tomar o rumo. E vocês podem ter certeza, e eu concordo, que defender a Petrobras é defender o Brasil - disse Dilma, repetindo a frase estampada numa faixa da FUP que faz parte do slogan lançado mês passado pela entidade, em ato que teve a presença do ex-presidente Lula.

Ao lado dos sindicalistas da FUP, ouviram o discurso da presidente seis ex-trabalhadores das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, um dos alvos dos superfaturamentos descobertos na Petrobras. Eles ensaiaram um protesto na entrada do conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida, no bairro Nossa Senhora do Carmo, em Caxias, depois de serem barrados.

Numa longa negociação, os operários foram convencidos por Wagner Caetano, representante da Secretaria Geral da Presidência, a deixar os cartazes do lado de fora em troca de um lugar ao lado dos sindicalistas da FUP e a promessa de uma reunião em Brasília, semana que vem. A pauta do encontro será o pagamento de indenizações e encargos trabalhistas dos funcionários da construtora Alumni, investigada na Lava-Jato e que demitiu três mil operários, após pedir recuperação judicial.

- Resolvemos dar um voto de confiança porque queremos solução - disse Alexandre Lopes, ex-soldador daAlumni.