Valor econômico, v. 15, n. 3738, 17/04/2015. Brasil, p. A5

Temer convoca Alves e Padilha para ajudá-lo na coordenação política

 

Por Andrea Jubé e Bruno Peres | De Brasília

Com a presença em peso de lideranças do PMDB, mas confrontada pela ausência dos presidentes das da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL), ambos do partido, a presidente Dilma Rousseff deu posse ontem ao novo ministro do Turismo, o ex-presidente da Câmara Henrique Alves. Dilma lembrou que o pemedebista chega para reforçar a "ação política" no Turismo. Veterano do parlamento, Alves fortalecerá a articulação política do governo ao lado do vice-presidente Michel Temer, fiador de sua nomeação para o ministério.

Alves foi convocado por Temer para ajudá-lo na coordenação política, ao lado do ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha. Ambos com passagem pela Câmara, atuarão nos bastidores como bombeiros para ajudarem a acalmar a base aliada no Congresso.

"Vamos nos colocar ali no meio de campo, devagarinho, observando pra ajudar", disse o ministro ao Valor. "Meu foco principal é dar fôlego e energia ao turismo, mas estarei disponível no que Michel precisar para ajudar nessa relação com o parlamento", completou.

Alves negou o estremecimento interno no partido por causa da substituição de Vinícius Lages - afilhado político do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) - no comando do Turismo. "Vinícius é um grande quadro, tem muita capacidade, logo vamos chegar num entendimento pra trabalhar de maneira harmônica, o país está precisando de unidade, força e boa vontade".

Apesar do discurso de unidade, contudo, Renan Calheiros e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, combinaram entre si as respectivas ausências na solenidade do Palácio do Planalto, entre outros motivos, para alimentar a postura de independência em relação ao Executivo.

Na qualidade de fiador político de Alves, junto com Temer, Cunha optou por prestigiá-lo comparecendo, exclusivamente, na transmissão de cargo no Ministério do Turismo, após a posse no Planalto.

Já Renan faltou ao evento no Palácio, mas o afilhado político foi elogiado de forma efusiva na cerimônia. "Minhas primeiras palavras são de caloroso agradecimento ao ministro Vinicius Lages pela dedicação, pelo profissionalismo e pelo engajamento com que atuou", discursou Dilma. "Em seus 13 meses no cargo, levou o turismo brasileiro a galgar novos patamares de qualidade", reforçou a presidente, enquanto Alves puxou uma salva de palmas ao antecessor.

Cotado para assumir um cargo no segundo escalão - entre eles, a presidência da Infraero e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) -, Lages acabou nomeado para o gabinete de Renan no Senado, em um gesto do alagoano para tentar mostrar autonomia em relação ao governo.

Dilma apontou a proximidade de dois grandes eventos esportivos - os Jogos Olímpicos e os Jogos Parlímpicos do Rio de Janeiro, em 2016 - como as principais tarefas e desafios de Alves à frente do turismo.

Valor econômico, v. 15, n. 3738, 17/04/2015. Brasil, p. A5

PT enfrenta dificuldade para definir tesoureiro

 

Por Cristiane Agostine | De São Paulo

O PT anuncia hoje o novo tesoureiro do partido, em meio a dificuldades para definir o sucessor de João Vaccari Neto, preso na quarta-feira. O nome será submetido a petistas na reunião do Diretório Nacional. Dirigentes do partido resistem em assumir a função, depois que os ex-tesoureiros Delúbio Soares e Vaccari foram presos, acusados de operar esquemas de corrupção.

Ontem, a Executiva reuniu-se em São Paulo por mais de três horas e não chegou a um consenso. A discussão continuou durante toda a tarde e noite, em reunião do grupo majoritário da legenda, reunido na chapa Para Mudar o Brasil, que manterá o comando das finanças partidárias.

O comando petista enfrenta dificuldades para encontrar um nome disposto a assumir a função, em meio à grave crise enfrentada pelo PT, e que não tenha problemas na Justiça. A escolha já havia sido tratada pelo presidente nacional do partido, Rui Falcão, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia da prisão de Vaccari.

A segunda maior tendência dentro do PT, a Mensagem, do ex-governador Tarso Genro e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defenderá hoje na reunião do diretório que o partido deixe de receber doações de empresas. O grupo majoritário, no entanto, resiste à proposta, sob a alegação de que a legenda precisa saldar dívidas de campanhas eleitorais.

A Mensagem insistirá também que sejam afastados de cargos de lideranças os petistas investigados pela Justiça, situação em que se encontra o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE) Outra proposta do grupo é que seja criada uma comissão para ouvir todos os petistas citados na operação Lava-Jato, como os ex-ministros da Casa Civil, José Dirceu e Antonio Palocci, que ocuparam as pastas nos governos de Lula e da presidente Dilma Rousseff.

Ontem, depois da reunião da Executiva, petistas mantiveram a defesa de João Vaccari e criticaram a atuação do juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato.

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), afirmou que a prisão do ex-tesoureiro não gera constrangimento ao partido. Sibá disse que o afastamento do petista do comando do caixa partidário, no mesmo dia em que foi preso, foi uma questão "de foro íntimo".

O parlamentar do Acre acusou Moro de ser parcial em suas decisões e disse que o juiz não respeita a Constituição. "O juiz Sergio Moro transborda suas competências, aquilo que é constitucional. Não respeita mais a Constituição. É arbitrário e político o que ele está fazendo", afirmou.