Título: Tom bem menos agressivo
Autor: Rothenburg, Denise
Fonte: Correio Braziliense, 17/08/2011, Política, p. 7
Com o discurso do governo de empenhar R$ 1 bilhão em emendas parlamentares, e de olho em cargos pendentes de loteamento, partidos da base aliada amenizaram o discurso de críticas e ameaças ao Planalto e permitiram o início das discussões das medidas provisórias. Nos bastidores, a ideia é amenizar o tom agressivo, mas deixar claro que a qualquer momento um novo motim pode atrapalhar os planos governistas.
Hoje, lideranças peemedebistas vão tentar um encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para falar sobre os cargos no segundo escalão. Um dos caciques vai pedir para indicar dois diretores do Banco do Nordeste. Um pedido que deve ser antecedido pelo apelo de Mantega para que o Congresso aprove a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que permite desvincular 20% da receita tributária para dar mais liberdade no uso de recursos do orçamento.
O clima de tranquilidade do discurso dos aliados que foram chamados para uma conversa no Planalto, no entanto, não convenceu nem mesmo o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). O petista cancelou a reunião de líderes que iria discutir o cronograma de votações no plenário da Casa até o final do ano. Segundo ele, o adiamento foi resultado da demonstração dos partidos de oposição de que pretendem obstruir as votações.
Ontem, depois de participar de uma cerimônia de cumprimentos aos oficiais generais promovidos, a presidente Dilma Rousseff afirmou ainda está avaliando o valor que será empenhado em emendas parlamentares, já que há insatisfação na base sobre os valores prometidos de empenho. "Isso ainda está sendo discutido dentro do governo. Vocês saberão", disse.