Título: Novos cortes nas emendas
Autor: Rothenburg, Denise
Fonte: Correio Braziliense, 17/08/2011, Política, p. 7

Ministra de Relações Institucionais pede que deputados e senadores informem as prioridades para liberação de verbas

Uma queda de braço com a área econômica do governo obrigou a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a rever a proposta de liberar R$ 5 bilhões em emendas parlamentares de deputados e senadores ¿ R$ 1 bilhão agora e outros R$ 4 bilhões até o final do ano. Ontem, por exemplo, no almoço com os líderes partidários na casa da deputada Ana Arraes (PSB-PE), que lidera o partido na Câmara, a ministra fez um apelo para que os parlamentares listem suas prioridades entre os R$ 13 milhões em emendas individuais que cada deputado pode apresentar. "Vamos atender as prioridades de todos", prometeu Ideli.

Ela não falou, mas os líderes fizeram chegar aos deputados que o valor global a ser empenhado das emendas de 2011 é R$ 2 milhões por parlamentar, ou seja, menos de 20% dos R$ 13 milhões que cada congressista pode apresentar. Isso representa R$ 1,1 bilhão, ou seja, um quarto dos R$ 4 bilhões. E com uma peculiaridade: os parlamentares reeleitos terão mais emendas liberadas do que aqueles de primeiro mandato. A esses, haverá apenas uma pequena parcela, ou seja, menos de R$ 2 milhões a serem liberados das emendas apresentadas porque não se reelegeram.

No Congresso, as propostas não foram bem recebidas. "Isso não vai mudar. Não vai sair nada além do que já foi prometido lá atrás. Ela só vai mudar mesmo essa coisa política, de conversar mais", comentou um parlamentar que ainda iria conversar com a sua bancada e, por isso, preferiu manter o anonimato.

Ciente que a reunião entre PMDB e PT ajudou a amenizar o clima político quente da semana passada, mas não dissipou os problemas, Ideli passou a tarde no Congresso recebendo deputados ¿ algo que no governo Lula era rotineiro. Mas ainda assim não conseguiu organizar a base para retomar o clima ameno e as votações de interesse do governo.

Dilma, por sua vez, jogou em outras frentes. Ontem, logo depois da solenidade das universidades, no Palácio do Planalto, ela chamou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, também presidente do PSB para um almoço. Ali, segundo relato do governador a integrantes da bancada, Dilma falou dos seus sonhos de acabar com a pobreza, sem comprometer as contas públicas. Ela disse ainda ter vontade de atuar mais no campo político chamando outros aliados para conversar, mas, "são tantas reuniões para tratar de assuntos técnicos que sobra pouco tempo para essa parte mais política".

À noite, Eduardo Campos voltou ao Planalto para uma reunião ampla da presidente com o PSB, o PCdoB e o PDT. O encontro foi semelhante ao que reuniu o PMDB e o PT na noite de segunda-feira, que se estendeu por duas horas, onde Dilma, o vice Michel Temer e Ideli expuseram os programas de governo e pediram apoio dos partidos. Na semana que vem, Dilma pretende chamar o PP, o PTB e demais partidos da base, como o PSC. Ao PR, que ontem anunciou uma posição de independência em relação ao governo, Dilma mandou dizer que, a depender do comportamento no plenário ¿ leia-se votos em favor do governo ¿ o partido também será chamado para tratar dos projetos governamentais.