Com economia em ritmo lento, taxa de desemprego sobe para 7,9%
Idiana Tomazelli
A geração de postos de trabalho no primeiro trimestre de 2015 foi insuficiente para absorver todo o contingente de trabalhadores que passou a buscar um emprego. Com isso, a taxa de desemprego subiu para 7,9% em todo o País no período. É o maior nível desde os 8% registrados no primeiro trimestre de 2013, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE. No primeiro trimestre do ano passado, o índice estava em 7,2%.
A desaceleração no mercado de trabalho foi intensa entre o fim do ano passado e o começo deste ano. Na comparação com o quarto trimestre de 2014, nem sequer foram abertas novas vagas, pelo contrário. O contingente de desocupados aumentou 23%, o equivalente a 1,5 milhão de pessoas no período. No fim de março, a população desocupada somava 7,934 milhões de pessoas.
Parte desse contingente é de temporários dispensados após as festas de fimde ano, explicou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. Ele reconhece, porém, que houvemais demissões neste ano. “Isso mostra que o mercado de trabalho está gerando menos postos de trabalho, enquanto há uma procura maior”, disse.
Depois de passar por vários trabalhos temporários como atendente e manicure, Adriana Pereira, de 30 anos, conquistou em 2013 o seu primeiro emprego fixo, como atendente de uma loja da varejista Besni. No mês passado, porém, foi desligada. “No total devem sair umas cinco pessoas. Não esperava por isso, fiquei muito desanimada”, diz. “Pelo jeito as coisas ainda vão piorar neste ano. O problema é que as contas estão aumentando, de água, luz e supermercado.”
De acordo com o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, apenas em maio já foram feitas 3 mil homologações na sede da instituição – que possui mais oito unidades na cidade –, no centro de São Paulo.
Renda. Enquanto a taxa de desemprego subiu, a renda média dos trabalhadores ficou exatamente igual à registrada no primeiro trimestre do ano passado (R$ 1.840). Em relação ao quarto trimestre de 2014, houve um aumento de 0,8%.
Para analistas, os dados da Pnad Contínua mostram que o emprego tem um cenário turbulento este ano. “É muito provável que, neste ano, a taxa média de desemprego seja pelo menos um ponto porcentual maior do que no ano passado (6,8%)”, avaliou o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. Para ele, a construção puxará as demissões, em função da desaceleração do setor e dos efeitos da Operação Lava Jato.
“Os números deixam claro que o melhor momento do emprego ficou para trás. Este ano, a média do desemprego pode beirar 8%. As pessoas vão voltar a buscar trabalho, mas não vão encontrar”, analisou o economista Marcel Caparoz, da RC Consultores.
Regiões. Os dados do IBGE mostram que, no Estado de São Paulo, o cenário piorou de maneira mais intensa, e a taxa de desemprego chegou a 8,5% no início do ano. Os dados conjunturais para as 27 unidades da Federação foram anunciados ontem pela primeira vez pelo órgão, um passo classificado como “histórico” por dirigentes do IBGE.
Com a criação da Pnad Contínua, que coleta informações em quase 3,5 mil municípios brasileiros, foi possível descobrir que a maior taxa de desemprego ocorre no Rio Grande do Norte (11,5%), enquanto a menor é vista em Santa Catarina (3,9%).
Em termos regionais, o Nordeste exibe a maior taxa de desemprego no País, 9,6% no primeiro trimestre de 2015, além de perdas mais intensas no rendimento.