Valor econômico, v. 15, n. 3744, 28/04/2015. Política, p. A9

 

Presidente evitará TV e usará redes sociais no 1º de Maio

 

Por Bruno Peres | De Brasília

A presidente Dilma Rousseff vai abrir mão do tradicional pronunciamento à Nação em rede nacional de rádio e TV em comemoração ao Dia Internacional do Trabalho e fará uso de redes sociais para se dirigir à população, na data. A iniciativa ocorre após ondas de protestos contrárias às participações públicas e em rede nacional de rádio e TV da presidente, mas o Palácio do Planalto negou que a decisão decorra do risco de protestos e panelaços enquanto ela fala, como ocorreu nas últimas vezes.

O Palácio do Planalto defendeu a iniciativa diferenciada na estratégia de comunicação governamental, sob a alegação de que é preciso valorizar outros "modais" de interação com o eleitorado. A decisão foi unânime entre os conselheiros da presidente Dilma que integram a coordenação política ampliada, com a participação de indicados políticos de partidos aliados, segundo disse o ministro da Secretaria da Comunicação Social e porta-voz da reunião de coordenação política do governo, realizada na noite de ontem, Edinho Silva.

Ao defender o ajuste fiscal em pronunciamento no Dia Internacional da Mulher no começo de março, Dilma foi alvo de panelaços em diferentes localidades do país - manifestações que se repetiram durante entrevistas ao vivo na TV de integrantes do governo no dia em que milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra o governo e a presidente.

"Não haverá pronunciamento. Será uma forma de valorizar outros modais de comunicação. A presidente não precisa se manifestar apenas pela televisão. Foi uma decisão coletiva e unânime, de que ela deveria valorizar as redes sociais", disse o ministro da Secom. "Ela vai continuar utilizando a televisão, a cadeia nacional quando for necessário. Nesse momento, entendemos que a melhor forma são as redes sociais", completou.

Ao comentar ontem o risco de novos panelaços caso a presidente Dilma optasse por uma aparição em rede nacional de rádio e TV, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que o governo tem "grandes coisas" a apresentar aos trabalhadores e avaliou que as manifestações do 1º de maio deverão se concentrar contrariamente ao projeto que regulamenta a terceirização no país. O líder minimizou a mobilização contrária ao governo. "O governo está preparado para anunciar um conjunto de medidas como grandes conquistas para os trabalhadores".