Delator indica corrupção no pré-sal
Executivo da Engevix pagou comissões por navios-sonda
-SÃO PAULO- A investigação da Lava Jato encontrou indícios de corrupção em negócios que envolvem a extração de petróleo da camada do pré-sal. Em delação premiada, o executivo da Engevix Gerson Almada admitiu ter pago comissões ao lobista Milton Pascowitch para que ele intermediasse a contratação da empreiteira para construir navios-sonda para a Sete Brasil, criada para retirar petróleo de camadas profundas. Os contratos ainda são válidos e somam US$ 2,4 bilhões.
Desse total, entre 0,75% e 0,9% seriam pagos a Pascowitch por meio de sua empresa Jamp, na forma de contratos de consultoria. Aos investigadores da forçatarefa da Lava-Jato, Almada não qualifica a comissão como propina. Diz que se tratava de lobby e que chegou a firmar contratos similares com a Jamp para intermediar outros negócios entre Engevix e Petrobras.
De acordo com o depoimento de Almada, colhido em 24 de março, o então diretor da Sete Brasil, Pedro Barusco, que também é investigado pela Lava-Jato, procurou a Engevix, por meio de Pascowitch, para oferecer contratos para construção de três navios-sonda. Almada avaliou que a viabilidade do negócio dependia da construção de mais cinco sondas. Barusco aceitou a sugestão e lançou uma licitação. O negócio acabou sendo fechado com a Engevix, e, por isso, Pascowitch teria tido direito a uma remuneração.
Ainda quanto a sondas, Almada disse que foi procurado por outro lobista investigado pela Polícia Federal. Fernando Baiano se ofereceu para intermediar negócios para que a Engevix construísse sondas para a OGX, de Eike Batista, que, na época, detinha concessões para explorar a área do pré-sal. O acordo não foi fechado porque a empreiteira de Almada não teria capacidade para construir todas as unidades.
Depois dos contatos com Pascowitch, Almada relata que foi procurado também pelo doleiro Alberto Youssef, que prometia evitar que a Engevix tivesse problemas de pagamento com a Diretoria de Abastecimento, então comandada por Paulo Roberto Costa. O executivo da Engevix reconhece que fez pagamentos a Youssef no exterior. O doleiro “sempre mencionou que (o dinheiro) seria destinado ao Partido Progressista”, segundo Almada. Pascowitch, por sua vez, “nunca foi claro” quanto ao destino do dinheiro, embora tivesse ligação com o PT.
A Sete Brasil não foi localizada para comentar as afirmações de Almada.