Com novo resultado negativo, poupança já acumula perdas de R$ 32,2 bi no ano
Eduardo Rodrigues
A caderneta de poupança, principal fonte dos financiamentos imobiliários no País, voltou a perder recursos em maio, com os saques superando os depósitos em R$ 3,199 bilhões. Foi o quinto mês seguido de perdas. No ano, os resgates já superam os depósitos em R$ 32,28 bilhões.
Com o resultado de maio, o saldo total da poupança ficou em R$ 648,772 bilhões, já incluindo os rendimentos do período, de R$ 3,662 bilhões.
Os depósitos na caderneta somaram R$ 153,235 bilhões no mês passado, enquanto as retiradas foram de R$ 156,434 bilhões. A poupança vem perdendo atratividade por conta do aumento da taxa de juros e da cotação do dólar, que tornam outras aplicações – mesmo os fundos de renda fixa mais simples – mais rentáveis. E a fuga de recursos trouxe uma preocupação enorme para o setor imobiliário, já que torna mais escasso o volume de dinheiro disponível para financiamentos.
A baixa nos saldos da poupança obrigou o governo a lançar no final de maio um pacote ao setor imobiliário que vai injetar R$ 31 bilhões, via recursos do FGTS ou por meio da mudança de regras para o uso do compulsório– o dinheiro que os bancos têm de manter depositado no Banco Central. A quantia é semelhante à saída de recursos da caderneta.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, avaliou, porém, que o governo precisa criar medidas para incentivar a poupança enquanto os juros básicos da economias e mantiverem elevados. “A caderneta de poupança é o instituto de maior credibilidade no Brasil e tem resistido ao longo dos anos. Neste instante, por uma política monetária, os juros da Selic sobem, mas precisamos preservá-la. É urgente que se crie estímulos para a poupança”, afirmou.
O resultado negativo de maio só não foi maior porque, no último dia útil do mês, a quantidade de aplicações foi R$ 3,997 bilhões maior do que o das retiradas. Até o dia 28, o saldo da caderneta estava no vermelho em R$7,196 bilhões. É comum ocorrer um aumento dos depósitos no último dia de cada mês, por conta de aplicações automáticas e de sobras de salários.
O que tem ocorrido nos últimos meses, no entanto, é que essa sobra tem sido cada vez menor. Em 2013, todos os meses fecharam com captação líquida, que no acumulado do ano chegou a R$ 71,047 bilhões. No ano passado, só houve mais resgate que depósito em abril, e o saldo total de captações foi positivo em R$24,033 bilhões. Já em 2015, todos os meses registraram mais resgates que depósitos até agora.
Banco do Brasil – Apesar da fuga da poupança ter continuado no País em maio, o Banco do Brasil obteve seu melhor desempenho de 2015 no mês passado, com uma captação líquida de R$ 1,3 bilhão. Para a instituição, o desempenho foi ajudado por ações de comunicações, ofertas e promoções junto aos clientes no período.