Título: Israel e palestinos mantêm ataques
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 20/08/2011, Mundo, p. 25

Aviação bombardeia Gaza e extremistas lançam foguetes contra o sul do Estado judaico

"Não existe lugar seguro em Gaza. Os israelenses atacarão onde quer que você esteja." Enquanto o palestino Abu Wazan, de 24 anos, falava ao Correio por telefone, seus conterrâneos choravam os mortos nos bombardeios da aviação. Pelo segundo dia consecutivo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) mantiveram ontem a retaliação ao triplo atentado da véspera, a 20km de Eilat (sul de Israel), que matou oito israelenses e feriu ao menos 30. Wazan contou ter escutado o barulho quase intermitente de aviões-espiões sobrevoando a Cidade de Gaza. Pelo menos 14 palestinos já morreram, incluindo quatro crianças, e 30 ficaram feridos durante a ofensiva aérea.

Segundo a agência de notícias France-Presse, um dos mortos seria um integrante não identificado dos Comitês de Resistência Popular (CRP), principal suspeito do massacre de Eilat. Na quinta-feira, Kamal Al-Nayrab ¿ comandante dessa coalizão de facções armadas palestinas ¿ também foi eliminado pelas forças israelenses, durante um bombardeio.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elevou ontem a retórica e prometeu seguir com a vingança. "Nós matamos os líderes da organização que enviou os terroristas", afirmou, referindo-se aos CRP. "Nós temos uma política de extrair um preço muito alto de qualquer um que nos causar danos e essa política está sendo implementada", admitiu o premiê, segundo o qual os bombardeios estavam apenas "no início". O movimento fundamentalista islâmico Hamas, que controla Gaza, rompeu a trégua com Israel, em vigor desde 2009.

Abu Wazan relatou que os civis da Faixa de Gaza buscam informações como podem, na tentativa de avaliar os próximos passos da crise. "Algo horrível pode ocorrer, como um novo massacre", comenta. Pela internet, o jornalista Ayed Al-Alham, de 40 anos, relata que sentiu sua casa sacudir três vezes pela manhã, enquanto as bombas de Israel caíam não muito longe do campo de refugiados de Jabaliya, onde vive. "Eles (israelenses) estão seguindo qualquer pessoa que pensam ter laços com os CRP", disse à reportagem. "Como a Cidade de Gaza é muito pequena, nós todos estamos numa situação muito perigosa, pois podem atacar qualquer carro, pessoa ou motocicleta."

Preço alto Em entrevista ao Correio, a tenente-coronel israelense Avital Leibovich, porta-voz das IDF, confirmou as operações militares, mas não citou vítimas. "Nós alvejamos algumas fábricas e poucos túneis usados para o contrabando de armamentos, além de esquadrões do terror", explicou. Por sua vez, o general Yoah Mordehai, porta-voz do Exército judeu, não descartou uma operação terrestre imediata contra Hamas. Apesar de ela ter negado o envolvimento nos atentados em Eilat, a facção islâmica é responsabilizada indiretamente por Israel, sob a justificativa de que seus militantes controlam a Faixa de Gaza. "Se o Hamas quer uma escalada, vai pagar um preço alto", advertiu Mordehai.

Extremistas responderam à presença dos caças F-16 sobre a Faixa de Gaza e lançaram 30 foguetes Grad e Qassam contra Israel. O jornal Haaretz divulgou que 29 artefatos caíram em áreas abertas, sem causar danos. No entanto, um deles atingiu uma indústria de Ashdod, a 34km de Telavive, ferindo seis pessoas, uma delas gravemente.

Ontem, um porta-voz dos CRP falou à France-Presse e elogiou a operação terrorista em Eilat. "Nós saudamos e estamos orgulhosos, mas não a reivindicamos", declarou. As mortes de seis policiais do Egito, entre quinta-feira e ontem, permanecem sem explicação. O jornal egípcio Al-Ahram sustenta que os militares foram assassinados por homens armados que tentavam entrar no país. Um oficial contou à agência egípcia Mena que eles foram surpreendidos por um foguete disparado de um helicóptero israelense.