Título: Indústria fica satisfeita
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 01/09/2011, Economia, p. 16
A coragem do Comitê de Política Monetária (Copom) de baixar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual contou com a aprovação dos empresários de diferentes setores da economia. Eles comemoraram porque entendem que a mudança de rumo ocorre simultaneamente à adoção de uma política fiscal mais rigorosa. A magnitude do ciclo de flexibilização monetária, no entanto, vai depender dos desdobramentos da crise e de suas implicações no país.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) interpretou a queda dos juros como um importante passo para, por um lado, enfrentar as dificuldades com a crise mundial e, por outro, sustentar a atividade econômica brasileira no atual cenário de inflação renitente. A entidade destacou o equilíbrio das políticas monetária e fiscal e defendeu maior aperto no Orçamento federal. "Esse novo mix de política é absolutamente necessário, mas exige maior esforço no controle dos gastos", alertou Robson Andrade, presidente da CNI.
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) ressaltou que a firmeza do BC sinaliza um horizonte melhor para o país, no momento em que todos os sinais apontam para o esfriamento da demanda interna. "O corte era uma necessidade e vem em linha com o que imaginávamos", disse o presidente da entidade, Roque Pellizzaro Junior. A seu ver, não havia outra saída para evitar problemas ainda maiores ao setor produtivo. "Essa era a resposta que o Brasil esperava. A postura do Banco
Central é motivo de orgulho para o movimento lojista", disse.
Já o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Ometto, ressaltou que o BC poderia ter sido mais agressivo. A queda dos juros para 12% anuais foi tímida diante do quadro de arrefecimento da economia doméstica e internacional. Para Ometto, a autoridade monetária brasileira pode, assim como ocorreu na crise de 2008, cometer o grave erro do excesso de conservadorismo. "Só uma forte redução de juros pode fazer com que o país mantenha o ritmo de crescimento, sem comprometer o controle dos preços. Mantendo os juros elevados, o Copom acaba retraindo o consumo e trazendo para o Brasil os efeitos da crise internacional", enfatizou.