O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem, em sua conta no Twitter, que não usará o cargo para se vingar. Na última sexta-feira, ele declarou que fará oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff e autorizou a instalação de quatro CPIs, duas delas contrárias a interesses do Planalto (BNDES e fundos de pensão).
Cunha anunciou o rompimento após ser acusado pelo delator Júlio Camargo de ter pedido US$ 5 milhões no escândalo investigado na Operação Lava-Jato. Após o anúncio, o Palácio do Planalto divulgou nota dizendo esperar que o gesto não se reflita nas ações de Cunha como presidente da Câmara, “que devem ser pautadas pela imparcialidade e impessoalidade”.
“Como presidente da Câmara, vou me conduzir da mesma forma que venho me conduzindo, com independência e harmonia com os demais poderes. Não existe pauta de vingança e nem pauta provocada pela minha opção pessoal de mudança de alinhamento politico. O que existe é eu como político e deputado exercer a minha militância defendendo a posição diferente do que defendia antes. Não tenho histórico de ajudar a implementar o caos na economia por pautas que coloquem em risco as contas públicas”, escreveu Cunha no microblog.
O presidente da Câmara também mandou um recado aos peemedebistas que, após o seu anúncio do rompimento com o governo, trataram do tema como uma questão pessoal de Cunha.
“É importante reafirmar que a minha decisão de ontem foi de caráter e em meu nome pessoal. Falei que ia defender no congresso do PMDB. Não busquei e nem vou buscar apoio para isso, a não ser o debate na instância partidária competente”, respondeu.
Sobre a falta de apoio de deputados e outros partidos ao seu gesto, Cunha afirmou que não busca número para derrotar o governo: “Não busquei e nem vou buscar apoio fora do PMDB, até porque cada partido tem e terá a sua postura dentro da sua lógica. O meu gesto não significará que estou buscando ganhar número para enfrentar e derrotar governo”, escreveu.
Ontem de manhã, em seu habitual passeio de bicicleta, a presidente Dilma foi perguntada sobre as declarações de Cunha e disse que não iria comentar:
— Ah! Meu querido! Você acha que eu vou te responder?
AÉCIO DIZ QUE HÁ PREOCUPAÇÃO
Já o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, afirmou, por meio de nota, que acompanha com “preocupação” o agravamento do quadro político no país, sem citar as declarações do presidente da Câmara.
“O PSDB acompanha com preocupação o agravamento do quadro político no país. Continuaremos atentos ao nosso papel de defender as nossas instituições para que elas cumpram suas funções constitucionais. Todas as denúncias têm que ser investigadas, respeitado o amplo direito de defesa”, disse Aécio.