Ocomando da maior parte do setor elétrico no país está nas mãos do PMDB, começando pelo titular do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Braga, senador licenciado do estado do Amazonas. As grandes empresas estatais do setor — Eletrobras, Furnas, Chesf e Eletrosul — também são dirigidas por indicados do partido desde o governo do ex- presidente Lula. Porém, a presidente Dilma Rousseff, que foi a primeira ministra de Minas e Energia do PT, não abre mão de ter nas áreas operacionais e técnicas destas companhias pessoas de sua confiança.
Há mais de duas décadas, os governos têm entregado para seus principais aliados o comando do setor de energia. No governo de Fernando Henrique Cardoso, ele ficou nas mãos de de nomes do PFL ( DEM) — então o mais forte parceiro do PSDB. A nomeação de Dilma para o comando do ministério no primeiro mandato do ex- presidente Lula foi uma das poucas exceções. Depois, o posto foi entregue a Silas Rondeau, indicado pelo ex- senador José Sarney ( PMDB- AP).
O senador Edison Lobão ( PMDB- MA), também aliado histórico de Sarney, ocupou o cargo de ministro de Minas e Energia por duas vezes, tanto no segundo governo Lula, quanto no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Ele só deixou o posto ao término do primeiro mandato. Eduardo Braga então foi convidado para assumir o posto neste segundo mandato.
Os órgãos mais técnicos, por sua vez, ficaram com pessoas indicadas pelo PT ou diretamente pela própria presidente Dilma Rousseff. Entre eles estão a Empresa de Pesquisa Energética ( EPE), responsável pelo planejamento do setor no longo prazo; a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica ( CCEE), um tipo de bolsa de mercadorias e valores do setor; e o Operador Nacional do Sistema Elétrico ( ONS), um organismo que operacionaliza a integração e funcionamento das usinas de geração e das linhas de transmissão para o fornecimento de energia para os consumidores.
Na Agência Nacional de Energia Elétrica ( Aneel), responsável pela regulação do setor, há uma divisão de cargos. O PMDB foi responsável pela indicação de três diretores, e o PT, de dois, sendo um deles o de diretor- geral. Os governos têm procurado manter o comando geral da Aneel desde que ela foi criada em 1997.
A 16 ª fase da Lava- Jato não atingiu políticos. Mas os desdobramentos da operação são imprevisíveis. No último dia 23, a Eletrobras se tornou alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos, por suspeita de corrupção na construção de Angra 3. O presidente da estatal, José da Costa Carvalho Neto, é um dos réus do processo.