Título: Mantega admite abrir o cofre
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 03/09/2011, Economia, p. 10
Ministro da Fazenda sinaliza que uma nova rodada de gastança pode ser feita em 2012 para impulsionar a atividade. Para ele, PIB menor no segundo trimestre era esperado
São Paulo ¿ A trajetória de arrefecimento do Produto Interno Bruto (PIB) levou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a abandonar momentaneamente o discurso de austeridade fiscal defendido pela equipe da presidente Dilma Rousseff e deixar claro que o país crescerá em 2012 a todo custo. Mesmo que, para isso, seja necessário abrir novamente os cofres. Ontem, ao comentar o resultado das contas nacionais, o ministro afirmou que o governo está disposto a adotar medidas de estímulo fiscal, a exemplo do que foi feito em 2008, para garantir a expansão econômica em pelo menos 5%.
"Espero não ter que usar as políticas monetária e fiscal para manter o ritmo do crescimento. Mas se a economia não estiver tendo o desempenho esperado, nós poderemos usar medidas de estímulo, como já usamos no passado, para alcançar a taxa de crescimento de 5% no próximo ano", ressaltou Mantega.
A desaceleração de 1,2% para 0,8%, registrada no segundo trimestre, era esperada pelo ministro. Ele atribuiu o efeito às medidas tomadas pelo governo para conter o superaquecimento da economia e a inflação. "Aumento de juros, compulsório, IOF, corte de gastos fiscais, tudo isso contribuiu para esse resultado", sustentou. Apesar das ações adotadas, o ministro acredita que a atividade voltará a ser impulsionada entre outubro e dezembro, especialmente pela renda dos trabalhadores, reforçada com o pagamento do 13º salário. Para 2011, o ministro espera que o PIB feche próximo dos 4%.
Compromisso Embora tenha deixado as portas abertas para os gastos em 2012, o ministro reforçou o compromisso do governo em cortar despesas e cumprir as metas fiscais "cheias" este ano (sem abater os valores pagos no Programa de Aceleração do Crescimento ¿ PAC).
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgou nota na qual considera o resultado do segundo trimestre uma confirmação de que "a economia brasileira se encontra em um ciclo sustentado de expansão, em ritmo mais condizente com o equilíbrio interno e externo e consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".
Para Tombini, a demanda interna continua como suporte da economia, com o consumo das famílias registrando crescimento de 1,0%, em relação ao primeiro trimestre, desempenho que tem sido impulsionado pela expansão moderada do crédito às famílias, pela geração de empregos e de renda.