Título: Apelo por mais corte de juros
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 03/09/2011, Economia, p. 10
Ao comentar o resultado das contas trimestrais, o ministro da Fazenda, Guido Mantega aproveitou para pedir mais reduções na taxa básica de juros (Selic). Ontem, em São Paulo, o ministro afirmou que mesmo depois do corte de 0,5 ponto percentual feito na quarta-feira, a política monetária brasileira continua como uma das mais conservadoras do mundo, ressaltando que o comentário não constitui uma crítica direta ao Banco Central
Para Mantega, o arrefecimento da economia ¿ reflexo de medidas tomadas para conter o crédito e o consumo ¿ deve abrir espaço para mais recuos na taxa. "Não sei como ficará até o final do ano (a Selic), mas nos próximos dois ou três anos, a médio prazo, as condições estarão dadas para que os juros continuem caindo", previu.
O ministro voltou a negar que o governo tenha influenciado a decisão desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). "Não interferiu nem quando (a taxa) subiu, nem quando desceu. Quem fez essa avaliação foi o BC", assegurou. E completou: "O governo continuará dando condições para que os juros caiam no Brasil, mas que a decisão final será sempre do Banco Central e não da Fazenda".
O pedido velado de mais cortes aumenta o escopo de sinais emitidos pelo alto escalão do governo ¿ incluindo a presidente Dilma Rousseff e ministros da área econômica ¿ de que manter os juros no patamar atual, em um cenário de desaceleração mundial, é insustentável. Atualmente, o Brasil está no topo do ranking dos maiores encargos reais, com 6,2% ao ano, ante uma média mundial de -0,8%.
O ministro Mantega afirmou ainda que não há mudanças previstas na regulação das operações com derivativos cambiais, mas que alguns pequenos ajustes devem ser realizados. (UC e GC)
Serra defende BC O ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB-SP), defendeu o BC, ao afirmar a decisão de reduzir os juros na quarta-feira foi correta. "Os juros futuros estavam caindo, a pressão das commodities sobre a inflação diminuindo, em razão da crise internacional e a economia desacelerando. Não vejo nenhum problema especial quanto a credibilidade da instituição. Quer dizer que um BC só ganha credibilidade, ou a mantém, quando promove o aumento dos juros?", comentou.