Título: Setor de serviços tem alta de 0,8%
Autor: Batista, Vera
Fonte: Correio Braziliense, 03/09/2011, Economia, p. 12
A tábua de salvação para o crescimento da economia no segundo trimestre de 2011 foi o setor de serviços. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento foi o que mais avançou de abril a junho ¿ 0,8% na comparação com o primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período do ano passado, o incremento também foi o maior: 3,4%. "O peso dos serviços no PIB (Produto Interno Bruto) é muito forte. Praticamente dois terços, e, portanto, esse setor é o que continuará sustentando o avanço da economia", disse o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, também acredita que o setor continuará sendo o motor do crescimento. "O aumento do emprego e da massa salarial irá manter a expansão do PIB e do consumo das famílias", afirmou.
O segmento de informação, onde predominam as empresas de telecomunicações, ficou entre os destaques ao se expandir 5,5% na comparação anual. "Isso não surpreende. Além de ser o que mais cresceu, vem ganhando peso no decorrer do tempo", explicou a economista do IBGE Rebeca Palis. Na avaliação de Thadeu de Freitas, essa evolução está ligada ao barateamento dos equipamentos de telecomunicações, devido ao real valorizado. "Isso ajudou a aumentar a importação desses produtos e esse setor foi beneficiado", comentou.
Com os preços em baixa, é fácil entender porque pessoas como a vendedora Sidnéia Neves da Silva, 26 anos, passaram a ter mais de um telefone móvel, aproveitando a grande variedade de modelos. "Já virou necessidade ter vários celulares. Uso uma operadora para falar com a família e outra com os amigos", disse ela, que agora quer adquirir um aparelho que tenha conexão com a internet. "Comprei um celular há pouco tempo e já quero trocar. As novidades aparecem rapidamente. Por isso, essa área é tão ativa", explicou. O auxiliar gráfico Róger Gassis, 28 anos, que também tem duas linhas, procura comprar um novo telefone a cada ano. "A correria do mundo atual faz com que queiramos as coisas mais rápidas. Não consigo imaginar a vida sem internet móvel", argumentou.
Os segmentos do comércio varejista e de intermediação financeira e seguros avançaram, respectivamente, 4,9% e 4,5% em relação ao segundo trimestre de 2010. A subgerente da loja de roupas femininas Madame MS, Daniela Soares, 31 anos, confirma que as vendas subiram substancialmente no segundo trimestre. "Foi um momento ótimo. O problema é que nesse último mês, o movimento começou a cair." Mas a redução da taxa básica de juros (Selic) animou a profissional. "Para o fim do ano as expectativas são boas. Com os lucros dos últimos meses, vamos repaginar a loja e reforçar a nova coleção."
VENDAS DE VEÍCULOS BATEM RECORDE As concessionárias brasileiras venderam 327.393 veículos em agosto, número recorde para o mês. O volume representa um crescimento de 4,67% em relação ao mesmo mês de 2010 e de 6,91% em comparação com o nível de julho. Os dados, divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), incluem automóveis de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus. Nos oito primeiros meses do ano, foram vendidas 2,37 milhões de unidades, o que equivale a uma expansão de 8,02%.