‘Ela devia pedir desculpas’

 

Em reunião da Executiva Nacional do PTB, ontem, o senador Fernando Collor de Mello ( PTB-AL), denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, não fez nenhuma menção ao fato. Em vez disso, aproveitou para contar aos correligionários estar decepcionado pelo fato de Dilma Rousseff ter ignorado seus conselhos após sua reeleição, ao descumprir promessas que assumiu durante a campanha eleitoral.

ANDRÉ COELHO/19-08-2015Fernando Collor. “(Dilma) me disse que os cenários que lhe trouxeram durante a campanha estavam errados”

Agora, declarou Collor, a consequência tem sido uma crise gravíssima que deixou o governo “sem rumo”.

— Tive a oportunidade de falar para ela ir à televisão pedir desculpas à população, à dona de casa, ao chefe de família. Ela me disse que os cenários que lhe trouxeram durante a campanha estavam errados. Mas, como chefe da Nação, deveria assumir esse papel e pedir desculpas — afirmou Collor ao discursar no encontro partidário.

Em seguida, Collor relatou que disse à presidente que deveria deixar transparecer “humildade”. Ao ouvir da própria Dilma que ela é humilde, o senador contrapôs que, ao discursar, a petista “não demonstra isso em sua expressão facial”. O ex-presidente declarou ainda que foi às ruas defender a reeleição de Dilma e que acreditou nas suas propostas.

— Saímos às ruas defendendo aquilo que ela dizia, e que, se reeleita, não aumentaria a tarifa de energia elétrica, não aumentaria os combustíveis, não aumentaria a taxa de juros, que a inflação estava controlada, os juros estavam sob controle, que a economia iria crescer e que os direitos do trabalhador não seriam mexidos nem que a vaca literalmente tossisse — discursou o senador no encontro, lembrando uma frase de Dilma.

Collor — que renunciou ao mandato de presidente em dezembro de 1992 em meio a um processo de impeachment — disse na reunião com os petebistas que nunca presenciiou uma crise tão grave como a atual na história recente do país.

— A crise que estamos vivenciando hoje é gravíssima, porque não sabemos que rumo tomar, para onde vamos. As expectativas são extremamente negativas — avaliou o ex-presidente.