Deterioração industrial avança, aponta CNI

 

LORENNA RODRIGUES 

22 Julho 2015 

Pesquisa mostra que em junho produção caiu, desemprego subiu e uso da capacidade instalada é o menor da série histórica, iniciada em 2011.

BRASÍLIA - A indústria brasileira terminou o primeiro semestre de 2015 com a produção em queda, menor número de empregados e com maior ociosidade em suas plantas.

De acordo com a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de produção em junho ficou em 40,3 pontos, recuo em relação aos 41,7 pontos de maio. Pela metodologia da pesquisa, números abaixo de 50 pontos significam queda e, quanto menor o índice, maior a redução.

A utilização da capacidade instalada caiu para 65% em junho, ante 66% em maio. É o menor patamar da série, que teve início em janeiro de 2011. Em junho, a pesquisa também indicou queda no número de empregados, com o índice em 40,7 pontos, 0,7 ponto porcentual abaixo do registrado em maio. "Em um quadro tão amplamente negativo, torna-se imperativo a tomada de medidas que possibilitem a redução dos custos da indústria e consequente aumento de sua competitividade", destaca nota da CNI.

Apesar das sucessivas quedas na produção, os estoques continuam subindo. Em junho, a alta foi de 0,9 ponto, para 52,1 ponto. Os estoques estão acima do nível desejado, com o indicador que mede o estoque efetivo planejado em 53,1 pontos. Nesse cenário, a situação financeira das empresas se deteriorou no segundo trimestre, o que a CNI atribui à baixa atividade econômica, aliada às políticas fiscal e monetária contracionistas.

O indicador de situação financeira ficou em 39,3 pontos e o do lucro operacional em 33,4 pontos- números abaixo de 50 refletem insatisfação. O indicador de facilidade de acesso ao crédito também ficou abaixo desse patamar (31,6 pontos). Os preços de matéria-prima continuam em alta no segundo trimestre (64,7 pontos), mas em ritmo menor do que no primeiro trimestre (71 pontos).

Problemas. Para os empresários consultados pela CNI, o maior problema no momento é a elevada carga tributária, reclamação de 44,8% dos entrevistados. "Esse resultado sugere que as recentes medidas do governo federal para o cumprimento do ajuste fiscal e as discussões sobre o tema teriam aumentado ainda mais a preocupação com os efeitos deletérios da tributação sobre as empresas", afirma a confederação, em nota. Além disso, a demanda interna insuficiente é problema para 44,2% dos entrevistados. Foram destacados ainda os custos com energia (37,5%) e matéria-prima (21,1%) entre as dificuldades enfrentadas pelo setor

FGV. Em outra pesquisa também divulgada ontem, dessa vez da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a confiança da indústria avançou 0,6% na prévia de julho ante o mês anterior. Mas o resultado está mais para uma "declaração de otimismo" vinda de alguns setores industriais do que um sinal de retomada firme. Há ainda nova piora no ambiente político, e essas incertezas podem afetar o ânimo dos empresários.

"O resultado ainda é muito discreto para ser comemorado. Ainda não houve uma virada na rota negativa da confiança", afirmou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo. Em junho, a confiança cedeu 4,9% em relação ao mês anterior, atingindo o menor nível da série histórica, iniciada em abril de 1995.

A avaliação sobre o momento atual continua ruim e caiu 2% em julho ante junho, aponta a prévia. Segundo o superintendente, as empresas ainda avaliam o momento atual como negativo, diante dos estoques elevados e da demanda fraca. /Colaborou Idiana Tomazeli

____________________________________________________________________________________________________________________

Votorantim suspende produção de fábrica

JOSÉ MARIA TOMAZELA 

22 Julho 2015 

 

A Votorantim Cimentos, empresa do Grupo Votorantim, anunciou a dispensa de funcionários e a suspensão da produção na sua fábrica de cimentos no município de Ribeirão Grande, sudoeste paulista. Dos 128 funcionários a serem dispensados, 83 já não trabalharam ontem. Os três fornos da Cimentos Ribeirão Grande foram desligados. A fábrica, que já foi a principal empregadora da cidade, de 7.341 habitantes, ainda é a maior geradora de receita.

A Votorantim Cimentos alegou "o atual contexto macroeconômico brasileiro" para justificar as demissões. Conforme nota da empresa, a partir de agosto a unidade passa a funcionar como centro de distribuição, mantendo a expedição e a distribuição das marcas Ribeirão e Votoran para o mercado regional. Com a produção da unidade suspensa, o cimento passa a ser fornecido por outras fábricas da empresa na região, "sem qualquer alteração nas relações comerciais".

Ainda segundo a nota, a suspensão é temporária e a empresa retomará as atividades de produção assim que as condições de mercado permitirem. "A suspensão decorre do processo de revisão de nossas operações para a melhoria constante de eficiência operacional e da competitividade da companhia", informa. A empresa fez reuniões com a prefeitura para discutir as demissões.

De acordo com o chefe de gabinete Marcelo Nunes, a uma parte do quadro será oferecida a transferência para outras unidades do grupo. Na região, a empresa tem fábricas de cimento em Votorantim e Salto de Pirapora. Segundo ele, o impacto da suspensão das atividades será significativo, já que a Votorantim é a maior geradora de impostos da cidade, que tem orçamento anual de R$ 34 milhões.

A indústria é a única do município e foi a maior empregadora até ser ultrapassada em número de empregos pela prefeitura, com 400 servidores. "Vamos ter de nos adequar a uma nova realidade", disse. A esperança é de que, no futuro, a fábrica volte a produzir cimento. "O grupo é dono de grandes jazidas no município e informou que vai manter as licenças em dia."

A Votorantim Cimentos possui outras 34 plantas cimenteiras no Brasil, além de estar presente em outros 13 países. Em 2014, o grupo teve receita líquida de R$ 12,9 bilhões, com lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, segundo informa em seu site.