05/08/2015
Heloisa Magalhães
A receita de voz da TIM Brasil caiu 10% neste segundo trimestre se comparada a igual período do ano passado. Para o presidente da empresa, Rodrigo Abreu foi o efeito do cenário macroeconômico, fazendo com que o usuário opte cada vez mais por aplicativos de mensagens. O resultado foi crescimento da receita bruta de dados de 45% e mais 7% de adeptos pelo serviço.
No primeiro trimestre deste ano a queda já foi de 9% frente aos três primeiros meses de 2014. No ano passado, o hábito de falar ao celular já vinha caindo, mas em menor velocidade. Telefonar menos e usar aplicativos de mensagens - como WhatsApp ou Messenger, entre outros - tornou-se tendência, aliada à expectativa de reduzir gastos.
O cenário de mudança rápida é bem diferente do que aconteceu na Europa, por exemplo. "Lá houve migração suave do uso de voz para dados", explicou o presidente da TIM, Rodrigo Abreu ao comentar dados balanço divulgados ontem à noite.
Ele disse que a avaliação no Brasil é que a transição seria em dois a três anos, mas a crise econômica bateu à porta. "Os serviços de voz ainda são responsáveis por 65% da receita da companhia e dados 35%. Há um ano a proporção era 73% voz e 27% dados. Estimávamos que os percentuais fossem se inverter ao redor de 2017, mas deve acontecer a partir do ano que vem", disse Abreu em entrevista ao Valor Pro, serviço de notícias em tempo real do Valor.
O balanço divulgado ontem à noite mostra aumento de 34% de adeptos ao serviço pós-pago e penetração de 59% de smartphones na base de clientes, mas mostra queda da receita líquida total de 8,8% na comparação trimestre a trimestre. Ficou em R$ 4,353 bilhões. Já a receita líquida de serviços, também afetada pela redução da receita de interconexão caiu 5%. Totalizou R$ 3,7 bilhões no mesmo período. Serviços inclui voz, dados, mensalidade dos planos, recarga no caso do pré-pago, mensagens (SMS) e aplicativos.
"Avaliamos um período muito difícil nos próximos 12 a 18 meses. Temos que entender o momento macroeconômico complicado. A inflação sobe muito mais que se imaginava. Nossa visão se alterou nos últimos seis a oito meses, diante da expectativa de um quadro bastante mais desfavorável do que o previsto no ano passado", afirmou.
Ele lembrou que o mercado brasileiro encerrou junho com 282,4 milhões de celulares ativos, queda de 0,6% em relação a maio, de acordo com dados divulgados em julho pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Foi a primeira vez que houve queda, desde a privatização do setor em 1998.
Neste segundo trimestre, a TIM apresentou lucro líquido de R$ 926,395 milhões, quase três vezes superior, aos R$ 365,614 milhões alcançados em igual trimestre no ano passado. Mas o lucro inclui efeito de venda de torres de telecomunicação. Este excluído, o lucro orgânico ficou em R$ 290,752 milhões, 20,5% abaixo do observado em igual período no ano passado. Já a dívida líquida é de R$ 2,6 bilhões, que representa 0,48x do EBITDA (lucro ante de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos 12 meses.
Uma perspectiva de venda da TIM Brasil não está no foco do presidente da companhia mesmo diante do momento adverso. Admite que o cenário brasileiro pode levar a consolidação, pois existe um "certo desequilíbrio em termos de resultados das empresa pois nos últimos dois anos, entre as quatro teles de telefonia celular apenas duas deram resultado positivo. E, pouco claro, disse que a TIM tem compromisso de longo prazo no país mas "está sempre atenta a possibilidade de movimentos não orgânicos".
Para Abreu, diante do crescimento de demanda de dados a estratégia é aumentar a capacidade da rede. "Em janeiro divulgamos investimento de R$ 3 bilhões no ano e está mantido. São R$ 11 bilhões no triênio (2015-2017). Neste segundo trimestre o investimento foi de R$ 1,2 bilhão sendo R$ 1 bilhão em infraestrutura, principalmente nas redes de terceira e quarta geração de telefonia celular (3G e 4G). O valor foi 13,4% superior que no mesmo trimestre de 2013.
" Aumentamos o investimento em 4G. Fechamos 2014 com 50 cidades. Já temos 70 e a meta é no final de 2015 ter 150 a 200. A velocidade de implantação está acelerada. E investimento do caixa próprio", disse Abreu. Outro foco é o corte de custos. Reduziram despesas operacionais em 10%, redefinindo processos aumentando produtividade e reduzindo despesas em aluguel de infraestrutura de terceiros.