Título: Uma aliança desconfortável
Autor: Rothenburg, Denise ; Jerônimo, Josie
Fonte: Correio Braziliense, 04/09/2011, Política, p. 4
Embora aprovada no 4º Congresso, a aliança com o PMDB não foi ponto pacífico nas discussões internas do PT na manhã de ontem. Na parte do encontro a que a imprensa não teve acesso, Markus Sokol, líder da tendência O Trabalho, foi incisivo ao se referir à necessidade de reforma agrária, educação de base e distribuição de renda: "Vamos contar com quem para fazer a nossa agenda? Com o PMDB? Acho que não. O principal agente da coalizão nem veio aqui ontem, na abertura do nosso congresso. Contamos com o PMDB para aprovar a proposta do governo de código florestal e a nossa proposta de reforma política? Acho que não", disse ele, sendo muito aplaudido pelo plenário. "Não temos liga com o PMDB, eles querem apenas cargos e muitos fazem de conta que não percebem isso", completou.
Sokol criticou também a carta de Dilma ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: "A política deles foi feita na Europa e está aí o resultado na crise internacional", disparou. A proposta de Sokol era romper a aliança com o PMDB. Mas foi derrotada quando os petistas levantaram seus crachás para eleger a chamada "resolução guia" na manhã de ontem.
Em conversas reservadas, mesmo os petistas simpáticos à aliança com o PMDB afirmam que os aplausos a Sokol são um sinal de que a aliança não é tranquila. Em Minas Gerais, por exemplo, o PMDB e o PT voltaram às turras depois da eleição do ano passado, quando, juntos, não conseguiram eleger o governador e não conquistaram sequer uma das vagas ao Senado.
A maioria do PT, entretanto, considera necessário continuar a aliança com os peemedebistas. José Genoino, outro a falar sobre a política de alianças no encontro, foi direto ao dizer que o radicalismo do PT deve ser quanto aos objetivos de acabar com a miséria e distribuir renda e não quanto aos partidos aos quais se alia. A "resolução guia" aprovada ontem inclui no rol de adversários diretos apenas o PSDB, o PPS e o DEM, chamados na resolução de "agremiações que representam o bloco conservador".
O PMDB foi preservado. O líder do partido na Câmara, Paulo Texeira (PT-SP) acredita que mesmo o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, será mantido como um aliado: "Uma emenda para excluir o PSD não passa", apostou. (DR)
Pela coxia De grife Quem te viu, quem te vê, eram os comentários maldosos no congresso do PT diante do grande número de correligionários vestidos com camisas da marca Lacoste, entre eles Delúbio Soares e Arlindo Chinaglia. As camisetas de malha, estampadas com dizeres comemorativos ao 4º Congresso, encalharam.
Em vez do iPad, o iPT Muitos petistas estavam animados em usar pela primeira vez um sistema eletrônico de votação. Os delegados receberam um aparelhinho semelhante a uma calculadora para escolher as emendas e as chapas que apoiariam. Outros lembraram que o sistema também tinha outro benefício, tornava o voto secreto, medida importante para evitar a animosidade com os colegas.
Churrasco O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares era pura alegria no primeiro Congresso depois de sua reintegração ao partido. Na sexta-feira, foi o último a sair do plenário. Ontem, não dispensou uma carne na churrascaria próxima ao centro de convenções Brasil XXI, Fogo de Chão, considerada uma das mais caras da cidade.
Churrasco II Quem também almoçou por ali foi o ministro da Educação, Fernando Haddad. Mas ele estava mais interessado em angariar apoios para sua pré-campanha de prefeito do que propriamente em se fartar na churrascada.
Dieta José Dirceu, com uma alimentação mais frugal, evitou excessos. Ao almoçar, ele encheu o prato de folhas e foi comedido na carne. Mas não dispensou uma caipirinha de lima com um dedo de cachaça, água, açúcar e muita fruta. Ele, que não é de beber, só toma um drinque nos finais de semana.