Servidores do Rio Grande do Sul iniciam greve conjunta de três dias

 

Os servidores públicos do Rio Grande do Sul decidiram fazer uma greve de três dias, a partir de hoje, contra o parcelamento de salários imposto pelo governo do estado. Numa inédita assembleia unificada, que reuniu ontem à tarde adversários históricos como professores e policiais militares, 43 entidades votaram a favor da paralisação até sexta- feira. Em seguida, houve uma marcha até a Assembleia Legislativa. À noite, o governador José Ivo Sartori ( PMDB) anunciou que cortará o ponto de todos os faltosos.

FLÁVIO ILHAPasseata. Grevistas se dirigem à Assembleia Legislativa: protesto contra parcelamento e atraso de salários no estado

De acordo com o comando grevista, 160 mil servidores cruzarão os braços, o que deverá afetar escolas, postos de saúde, hospitais, a Brigada Militar, a Polícia Civil, empresas públicas e fundações. Segundo a Federação das Associações de Servidores do Rio Grande do Sul ( Fessergs), a adesão será de aproximadamente 95% do funcionalismo.

A volta ao trabalho está prevista para segunda- feira, mas servidores prometem permanecer mobilizados até o fim do mês. Se os salários de agosto não forem pagos integralmente até o próximo dia 31, poderá ter início uma outra greve, por tempo indeterminado.

A Fessergs informou que até mesmo serviços essenciais, como atendimento em hospitais, serão suspensos. Na Polícia Civil, equipes trabalharão apenas em casos urgentes, como homicídios. Já a Brigada Militar deverá realizar uma operação padrão — o patrulhamento será feito somente com veículos que estiverem rigorosamente de acordo com as exigências listadas no Código de Trânsito Brasileiro.

Como forma de evitar o impedimento constitucional de greve para oficiais e praças da Polícia Militar, PMs não sairão às ruas com equipamentos fora do prazo de validade ou uniformes sem condições adequadas de uso. Presidente de uma associação que representa cabos e soldados da corporação, Leonel Lucas disse que a tropa luta ‘‘ pela qualificação dos serviços públicos do estado’’.

Além de pagamentos em dia e do fim do parcelamento de salários, os grevistas reivindicam o engavetamento de projetos do governo estadual que, segundo a Fessergs, visam à extinção de direitos trabalhistas e previdenciários e de empresas públicas e fundações.

A crise financeira gaúcha se arrasta desde o início do ano e se agravou em julho, com o parcelamento de salários até R$ 2.250. O pagamento ao servidores atrasou 11 dias, e só foi feito depois que o estado deixou de quitar uma parcela de sua dívida com a União, no valor de R$ 263 milhões. Em represália, o governo federal reteve repasses de transferências constitucionais para o Rio Grande do Sul.

PARA SARTORI, FALTOU RAZÃO

No início da noite, o governador José Ivo Sartori reuniu a imprensa no Palácio Piratini para anunciar o corte de ponto dos servidores que não trabalharem. Ele disse que considera a passeata dos funcionários públicos “uma manifestação democrática”, mas destacou que ‘‘ não existem razões para uma paralisação’’, pois os salários que estavam atrasados foram pagos integralmente.

— Os servidores foram recebidos e atendidos em todas as horas. Nunca faltou diálogo nem respeito, mas lembrei aos secretários do governo que, a partir desta quarta- feira, presença será presença, falta será falta. Isso significa que haverá controle de ponto, e dias serão descontados dos que não trabalharem — avisou Sartori.

O governador fez um apelo para que os serviços essenciais sejam mantidos. Na entrevista coletiva, ele não deu garantia de que pagará em dia os salários de agosto.