Petrobras busca diretores no mercado
Claudia Schüffner
27/08/2015
Enquanto busca um executivo de varejo para assumir o lugar de José Lima de Andrade Neto na presidência da BR Distribuidora, a Petrobras decidiu também contratar no mercado profissionais para a estatal nas áreas de Auditoria Interna e também para o cargo de Ouvidor Geral da holding. A empresa, que tem contrato com a Petrobras para a seleção dos executivos, é a Korn Ferry, companhia especializada no recrutamento de executivos.
A área de Ouvidoria é a mais sensível, na avaliação de fontes qualificadas. Era ocupada por Paulo Otto Von Sperling, ex-assessor de José Dirceu e filiado ao PT até 2012. Conhecido como "ouvidor que não viu nem ouviu nada", Von Sperling só foi afastado do cargo após o atual presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, e o novo conselho de administração da estatal, presidido por Murilo Ferreira, assumirem o comando da companhia.
Uma fonte do Valor informou que parte da Ouvidoria será terceirizada e que o objetivo da estatal é "buscar competências fora da empresa para ocupar algumas posições mais delicadas". A fonte explicou que ao contrário da Ouvidoria, a área de Auditoria Interna da Petrobras fez um bom trabalho com os mecanismos que dispunha. O problema é que as providências sugeridas não eram acatadas, observou.
Empregados da Petrobras também poderão participar do processo de seleção para os cargos, considerados altamente sensíveis. A empresa divulgou, no sistema interno de comunicação, os requisitos para participação dos funcionários, que deverão se candidatar até amanhã.
Para a gerência executiva de auditoria interna, o requisito é que o candidato seja formado em contabilidade, preferencialmente, e uma pós-graduação é desejável. Para o cargo de ouvidor geral, as preferências são para aqueles formados em administração, contabilidade, finanças, economia, engenharia ou direito. A pós-graduação também é desejável, como informa a Petrobras em duas notas internas divulgadas para os empregados, às quais o Valor teve acesso.
Os nomes apresentados serão analisados por uma comissão interna formada por membros do conselho de administração; pelas diretorias de Governança, Risco e Conformidade, Corporativa e de Serviços; e pelo gabinete da presidência da Petrobras.
Caberá ao comitê escolher seis candidatos escolhidos internamente que vão disputar os cargos com os escolhidos pela Korn Ferry. Trata-se da mesma empresa que apontou João Elek em uma lista tríplice para ocupar a diretoria de Governança, Risco e Conformidade. A decisão final por Elek se deu depois que a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, entrevistou pessoalmente os três candidatos.
No rastro do furacão que foi a Operação Lava-Jato no Brasil e também dentro da Petrobras, a área de Auditoria está passando por um enorme processo de reestruturação para melhorar a governança da empresa. Na longa lista de atribuições do futuro auditor, está o de "promover a difusão da visão, valores e princípios da companhia no âmbito da Auditoria Interna" e representar a petroleira estatal junto aos órgãos de controle como o Conselho Fiscal, Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF).
Valor econômico, v. 16, n. 3829, 27/08/2015. Empresas, p. B4