Título: Freio na guerra cambial
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Fonte: Correio Braziliense, 23/09/2011, Economia, p. 10

Nova York ¿ Com um olhar atento à variação do dólar, a presidente Dilma Rousseff, alertou para a necessidade de uma "articulação macroeconômica" mundial para frear a guerra cambial, que podem resultar em consequências desastrosas para todo o mundo. Ela defendeu um mecanismo que faça com que um país, ao tomar uma medida, tenha que olhar os impactos sobre o vizinho, pois são enormes os riscos de se criar uma concorrência indevida.

O alerta, ainda que velado, foi direcionado aos Estados Unidos, que, anteontem, injetou mais US$ 400 bilhões na economia para tentar baratear o crédito e estimular o mercado imobiliário, e à China, que mantém a sua moeda artificialmente desvalorizada para dar competitividade a seus produtos no comércio internacional. "Mesmo a gente considerando importante e entendendo porque é importante para alguns países expandirem a sua política monetária e colocarem seus juros a zero, esse fato cria uma concorrência indevida. O mesmo ocorre quando de criar uma valorização distorcida das moedas", afirmou a presidente.

Punição Para ela, o real foi punido por esse tipo de manobra, fazendo com que muitos produtos brasileiros de alto valor agregado perdessem espaço no exterior. "Temos uma valorização do real que não é sistêmica, mas decorrente de fatores que não são aqueles baseados no mercado, mas na política", afirmou. "Enquanto houver esse tipo de conduta, se estará num processo de guerra cambial", completou.

Quanto ao movimento de forte desvalorização da moeda brasileira nos últimos dias ¿ a queda ante o dólar foi de 19,34% no mês ¿, Dilma lembrou que não foi só o real que recuou em relação à divisa norte-americana. "Houve uma fuga para a segurança e (o mercado) se inverteu. Esse movimento recente é mais um movimento de instabilidade dos mercados internacionais", afirmou. (DR)