Título: Consignado cai 3,62%
Autor: Abreu, Diego
Fonte: Correio Braziliense, 23/09/2011, Economia, p. 12

Em um ano marcado pelos efeitos da crise financeira, com os mercados oscilando ao sabor das notícias e a instabilidade dominando as aplicações tradicionais, até o crédito consignado vem sofrendo. Considerada um bom negócio tanto para os bancos, que arcam com baixo risco, quanto pelo tomador do empréstimo, ao pagar as melhores taxas, a modalidade vem perdendo fôlego. Dados divulgados ontem pela Previdência Social mostram que os segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão indo com menos apetite aos bancos.

Em agosto, o financiamento caiu 3,62% se comparado ao mesmo mês de 2010. Naquela ocasião, o Produto Interno Bruto (PIB) do país (PIB) crescia a uma taxa de 7,5% e aposentados e pensionistas pegaram nos bancos R$ 2,37 bilhões. Este ano, os empréstimos somaram R$ 2,28 bilhões no mês. O crescimento só se dá na comparação com julho, quando o volume contratado subiu 5,48%.

O INSS não entra no mérito do que tem levado os segurados a buscarem menos financiamentos. Técnicos que acompanham o desenvolvimento do crédito no país, no entanto, acreditam que as causas são o endividamento excessivo dos tomadores e a cautela dos bancos.

Limite Para eles, o financiamento já obtido pode estar próximo da marca dos 30% da renda líquida do segurado, o máximo permitido pela legislação para o comprometimento com o pagamento das parcelas. Os bancos, por sua vez, estão mais criteriosos com a concessão, já que sofrem a influência das medidas adotadas pelo governo para conter a expansão do crédito. No caso do consignado, o Banco Central passou a exigir mais capital próprio das instituições financeiras para bancarem os prazos mais longos.

No mês passado, do total de empréstimos, 397.766 foram fechados por segurados com renda de até um salário mínimo. Esses aposentados e pensionistas responderam por R$ 881 milhões em operações. Nessa faixa de remuneração, os tomadores contrataram, em média, R$ 2,8 mil.