Título: Ritmo menor no país
Autor: Batista, Vera
Fonte: Correio Braziliense, 23/08/2011, Economia, p. 11
As projeções de expansão das principais economias do globo estão encolhendo vertiginosamente e o Brasil não ficou imune. Num relatório divulgado ontem, o banco norte-americano Morgan Stanley jogou para baixo a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país) brasileiro, que passou de 4% para 3,7% no ano e de 4,6% para 3,5% em 2012. Os economistas locais acompanham o movimento. No levantamento semanal que o Banco Central faz com cerca de 100 consultores, a estimativa caiu pela terceira semana seguida ¿ de 3,93% para 3,84%.
Os mais pessimistas ponderam que a queda nas projeções observada pelo BC deve durar ainda algumas semanas. Depois do anúncio de cada indicador ruim nos Estados Unidos ou na Europa, eles pioram seus números. "O Brasil está desacelerando e há possibilidade de fechar o ano com 3% de crescimento", calculou Mariana Costa, economista-chefe da Link Investimento.
A desaceleração da atividade econômica, avaliam os analistas, é o preço que o país vai ter de pagar pela crise, num mundo globalizado. "Ainda assim, o Brasil vai ter alguma expansão. Temos o impulso do ano passado, quando crescemos 7,5% e o mercado de trabalho ainda é pujante", argumentou Jason Vieira, economista da Cruzeiro do Sul Corretora.
Com a crise, os analistas esperam pelo menos um benefício: inflação menor. As projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012 começaram a arrefecer. Em um mês, diminuíram 0,08 ponto percentual, chegando a 5,20% nesta semana. Para 2011, as expectativas estão oscilando entre 6,30% e 6,26%.
Quanto aos juros básicos da economia (Selic), o mercado é unânime. A desaceleração do globo obrigou o BC a encerrar o aperto monetário. "O debate no mercado é se pode haver corte de juros, hoje em 12,50%", disse Mariana. "O BC trabalha com uma faca de dois gumes: se cortar juros para fazer o país crescer, os preços podem subir", alertou Fábio Gallo Garcia, professor de economia da PUC de São Paulo.
No atacado O Índice Geral de Preços ¿ Mercado (IGP-M), muito usado para corrigir os aluguéis, registrou, na segunda prévia de agosto, alta de 0,33%. No mês anterior, para o mesmo período, a variação havia sido negativa em 0,21%. A elevação foi puxada, sobretudo, pelos preços de produtos no atacado, que subiram 0,45%. As carnes foram o destaque. A suína encareceu 19,76% e a bovina, 2,56%.