Título: Um exército de sem-aulas
Autor: Filizola, Paula
Fonte: Correio Braziliense, 22/09/2011, Brasil, p. 12
Com 2,7 milhões de alunos, a rede de ensino público de Minas Gerais, a segunda maior do país, está há mais de três meses em greve, o que tem tirado o sono dos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no estado. Segundo a secretária de Educação, Ana Lúcia Gazzola, o governo utilizou todos os recursos possíveis para minimizar os impactos dessa situação e garantir o direito constitucional dos alunos de receberem ensino de qualidade. Além de contratar 2,4 mil professores substitutos, a secretaria oferece aulas de reforço aos sábados, veiculadas em um canal de tevê local. "Claro que a estabilidade do aluno acaba afetada, mas estamos com ações focadas para diminuir os prejuízos. Hoje, somente 7% das escolas públicas ainda estão em greve. Aos poucos, estamos voltando à normalidade", afirma Ana Lúcia.
Apesar do esforço do governo estadual, pais de alunos reivindicam que o Ministério da Educação (MEC) transfira a data do Enem, marcado para 22 e 23 de outubro, e não prejudique os candidatos mineiros. "É impossível por causa do tamanho do Brasil, das licitações, da logística", reconhece a secretária. Alunos de escolas públicas no Ceará e no Maranhão também sofrem com a paralisação de professores. Em junho deste ano, docentes do Amapá, de Mato Grosso, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte, de Santa Catarina e de Sergipe também entraram em greve pedindo melhorias salariais.
Outra greve que preocupa os inscritos no Enem é a dos Correios. Desde o último dia 14, os servidores da instituição, responsável por entregar os cartões de confirmação no exame, cruzaram os braços. O ministro da Educação, Fernando Haddad, garante, no entanto, que isso não afetará o sucesso na aplicação das provas. (PF)