Título: Mantega minimiza alta
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 22/09/2011, Economia, p. 16
Apesar da forte valorização do dólar frente ao real nos últimos dias, reflexo da deterioração do quadro econômico internacional, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, minimizou os efeitos sobre o Brasil. A seu ver, o câmbio está apenas devolvendo a alta recente da moeda nacional. Para o ministro, não existe um "patamar aceitável" para a cotação da divisa norte-americana. Ele disse, em viagem a Washington, Estados Unidos, que a elevação trará benefícios ao setor exportador. Mas reconheceu que, se continuar forte como está, ela poderá preocupar o governo.
"Não vamos fazer ilações. Para isso acontecer, a crise terá de se agravar muito. Se a coisa ficar feia, teremos de repensar tudo e ver o que precisa ser feito", declarou Mantega. A princípio, não há planos de revisão das medidas adotadas para compensar a valorização do real. Para o ministro, a atual desvalorização da moeda brasileira reflete a aversão geral do mercado ao risco gerado pela crise da Grécia, sobretudo à demora na conclusão das negociações entre o país da Zona do Euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a União Europeia (UE) e o Banco Central Europeu (BCE).
"Os mercados continuam a dar sinais de estresse e de nervosismo. Isso está levando a uma valorização do dólar no mundo todo", justificou Mantega.
Bônus europeu O ministro sul-africano de Finanças, Pravin Gordhan, afirmou ontem que os Brics (grupo composto por países emergentes) deve considerar, em reunião marcada para hoje, a compra de títulos de dívida europeus. A ação seria uma forma de auxiliar a Zona do Euro a se recuperar da crise. "Comprar bônus europeus é uma ideia, mas o mais importante é que nós restabeleçamos os níveis de cooperação e compartilhamento que estabelecemos após 2008, porque é isso que queremos novamente", disse.